Trabalhos Especiais

"Você tem Todo o Direito!"

COMO ESCOLHER UM ADVOGADO

SITE DIRETO DA REDAÇÃO (29 DE MAIO DE 2005)

Em um país como o Brasil, a necessidade de um advogado não é uma questão de analisar se você vai precisar dele, mas quando vai precisar. Realmente, não conheço um profissional ou uma única pessoa das minhas relações que nunca tenha necessitado de um, mesmo que fosse para uma simples consulta.

A formação, a tradição ou, porque não dizer, a qualidade de um advogado, pode decidir os rumos da sua vida, oscilando entre o paraíso e as profundezas do inferno. Quem já contratou um, certamente poderá melhor compreender estas afirmações.

Bem, nossa vida ficou um pouco melhor. Ernesto Lippmann, escreveu “Você Tem Todo o Direito! – Como Escolher um Bom Advogado e Garantir Seus Direitos” (Editora Cultura, 240 páginas). Pelo título, parece uma leitura um pouco enfadonha, mas é uma obra que consegue reunir uma apurada técnica de direito e humor em um excelente “Manual do Proprietário” para todos que já estiveram às voltas com questões jurídicas.

Através de uma escrita simples e agradável ao longo de onze capítulos, Lippmann ensina como procurar um advogado, qualidades a buscar e o que evitar, a procuração e seus significados ocultos, os clientes vistos pelos advogados, os direitos do cliente, como reclamar de seu advogado e obter resultados, como proceder quando o advogado responde pelo insucesso da causa e vários outros enfoques desconhecidos da maioria das pessoas.

Logo na parte introdutória, o professor Lippmann escreve que tem orgulho de ser advogado, mas tem vergonha da péssima imagem que estes usufruem. Sem perder um humor sarcástico e inteligente, conta até piadas sobre advogados que espelham a sensação da maioria da povo. Por exemplo: “É possível ver se um advogado está mentindo? Claro! Basta ver se os lábios deles estão se mexendo…”.

Em outra parte Lippmann alerta que, ao contrário dos EUA que anuncia advogados no horário nobre da televisão, no Brasil a publicidade imoderada é frontalmente proibida e alerta para fugir dos advogados que fazem publicidade. Devemos evitar também, sempre que possível, os advogados que acumulam atividades, como corretores de imóveis, contadores e corretores de seguros. Outros a serem evitados são os das “Associações de Vítimas” e advogados dos sindicatos.

Da mesma forma, o autor orienta os interessados sobre como preparar a documentação a ser apresentada, definir claramente o que se deseja, como avaliar o escritório de advocacia, a formação do profissional, selecionar entre escritório pequeno ou as grandes bancas de advogados e muito mais.

Entre várias, uma das orientações mais valiosas é sobre o pagamento ao advogado. Através de exemplos de cálculos, prova que para a mesma causa o advogado pode manipular os números e a variação pode ultrapassar 20%. Em outro capítulo, ensina a “Dieta Para Emagrecer o Leão”, alertando sobre a possibilidade de diversas contestações de impostos ilegais que você pode legalmente deixar de pagar. E as ações não são poucas, beirando os R$ 230 bilhões.

Em um dos subtítulos, Lippmann resume boa parte do direito brasileiro em uma frase: “Nem tudo que parece justo é legal”. Por outro lado, explica o relacionamento entre cliente e advogado e as gafes a serem evitadas, como atormentar o advogado, falar pérolas de indelicadeza, insistir em falar com juiz, mandar bilhetes para a parte contrária, dar calote e várias outras.

De ponta a ponta o livro é repleto de conselhos úteis. Por exemplo, que a polícia não pode entrar na sua casa ou escritório à noite em hipótese alguma; e, durante o dia, só com mandado judicial. Além disso, há interessantes conselhos sobre como tratar um policial.

Na parte final, o professor Lippmann explica porque os processos demoram tanto, a falta de informatização, os cartórios e o que um bom advogado pode fazer para ganhar tempo, como apressar uma citação, tomar conhecimento antecipado das publicações oficiais, agilizar perícias e alerta que a insistência em litigâncias de má-fé pode gerar multa de até 20% do valor do processo.

Em uma das aberrações do direito brasileiro, ele explica como você pode ganhar uma causa e levar um tempão para receber, em decorrência de discussões sobre índices de correção e a enorme burocracia e formalidades se a execução for na área pública.

Enfim, um livro útil, de leitura fácil e às vezes divertida, mas que serve principalmente como manual tanto para pessoas físicas como jurídicas.