Trabalhos Especiais

Fenalaw/Senalaw

Oferta de produtos para área jurídica é maior

DCI (6 DE ABRIL DE 2006)

Paula Felix Palma / Juliana Schincariol

Diante do número de advogados formados no Brasil a cada ano e aumento de escritórios de advocacia, o mercado de serviços voltados para o segmento jurídico tem crescido e se consolidado, alcançando patamares cada vez maiores. Em dois anos, pode-se dizer que esse mercado cresceu 200%, provocando a diversificação das empresas especializadas. Hoje existem, além de editoras, escolas de inglês e consultorias, empresas de softwares e de móveis para escritórios voltadas especificamente para esse público. E o potencial do mercado é grande: hoje, o Brasil é o terceiro país em número de advogados — 600 mil, sendo 250 mil só em São Paulo, ou seja, um advogado para cada 400 pessoas — atrás apenas da Índia e Estados Unidos. Além disso, são 6.500 sociedades de advogados registrados na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Assistimos a um crescimento absurdo desse mercado nos últimos anos e hoje ele é grande e pulverizado, o que justifica um parque de negócios voltado a ele”, afirmou a presidente do Centro de Estudos de Administração de Escritórios de Advocacia (Ceae), Ana Luiza Boranga. Especializada em softwares e soluções de tecnologia para o mercado jurídico, a BCS Informática , desde 1987 no mercado, apresentou, em 2005, faturamento de R$ 13 milhões e um crescimento de 10% em relação a 2004. O carro-chefe da empresa, o Sisjuri, já representa 50% de todo o faturamento. O produto permite a automação das rotinas administrativas e judiciais de um escritório, com os módulos de cadastro, faturamento, acompanhamento processual, contas a pagar e receber, tesouraria, entre outros.

Para 2006, a expectativa do diretor da empresa, Henrique Aguiar, é atender a novas demandas que surgem nos escritórios, principalmente a oportunidade de digitalização do arquivo físico. “Hoje, os escritórios não têm mais espaço para guardar esse material. Estou sentindo essa necessidade da informação digital esquentar”, afirmou o executivo. Investindo na parceria com Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED) da americana Interwoven Worksite e o desempenho do Sirjuri, o crescimento da BCS em 2006 deve alcançar 20%.

A Lex Editora , mais conceituada no mercado, atende somente publicações voltadas à legislação e jurisprudência. Em 2003, o Grupo Aduaneiras adquiriu a editora que, desde então, vem crescendo e se atualizando. O investimento em material, tecnologia e capacitação de pessoal foi de R$ 22 milhões, o que possibilitou um avanço de 30% em 2004 e 50% em 2005, elevando a base de clientes de 12 mil para 24 mil. A expectativa é de manter o aumento de 50% em 2006. De acordo com o diretor presidente da Lex, Carlos Sergio Serra, além dos outros 10 produtos que a editora trabalha, o incremento será baseado no E-Lex, um produto amplo que reúne o material de 30 anos da empresa, a ser lançado na Fenalaw, em maio (ver box).

Além disso, há uma preocupação de atender novos profissionais. “ A Lex tem muita aceitação entre os nomes renomados da área de direito. Mas vamos modernizar o material e criar novos sistemas, mantendo a excelência, para atingir essa nova demanda do mercado”, afirmou o responsável pela área jurídica, Enio Santinelli Filho.

Aproveitando a oportunidade desse mercado, a MP Editora é uma empresa voltada para a publicação de livros na área tributária. Com dois anos de existência, a Editora publica a“Revista de Direito Tributário da Associação Paulista de Estudos Tributários (APET)”, que já está na sua décima edição e já tem 40 títulos no mercado.

“A proposta é chegar aos 90 livros e triplicar o faturamento até o final do ano”, planeja Marcelo Peixoto, presidente da empresa . O “best-seller” da MP é o Código Nacional Tributário, que em seis meses praticamente esgotou sua tiragem de 2.500 exemplares e faturou em torno de R$ 200 mil.

Conhecida por atuar no serviço de gráfica rápida, a Alphagraphics também está investindo no Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED), um produto que garante a segurança de todos os arquivos de uma empresa ao digitalizá-los.

Segundo Arno Whitte, um dos franqueadores da rede, ainda há muita restrição por parte dos advogados para contratar esse serviço, apesar de suas vantagens.

“No Brasil, existe um atraso tecnológico muito grande. Está surgindo agora uma nova geração de advogados ligados à tecnologia”, avalia Whitte.

Apesar de ainda ser pequeno, este é um ramo em que os franqueadores estão apostando.

A proposta é atender de quatro a cinco escritórios de médio porte em 2006 e dobrar esse número em 2007. Para digitalizar todo o seu acervo, um cliente tem que investir de R$ 20mil a R$ 40mil reais, dependendo do porte do seu negócio e pode ser feito apenas em parte do arquivo.

FENALAW É A MAIOR FEIRA PARA ADVOGADOS

Entre os dias 17 e 19 de maio, São Paulo abrigará a terceira edição da Fenalaw (Feira Nacional de Serviços e Suprimentos Jurídicos), a maior feira latino-americana de produtos e serviços voltados para a comunidade jurídica. Nesta data também acontece, paralelamente, o Senalaw (Seminário Nacional de Administração de Escritórios de Advocacia e Jurídicos). Este é considerado o segundo maior do gênero no mundo, só perdendo para o similar norte-americano. Em 2006, são esperados cinco mil visitantes.

A maioria dos expositores é formada por fabricantes de softwares, editoras, gráficas, empresas de consultoria, escritórios de contabilidade e marketing — todos voltados para o universo jurídico.

Os maiores especialistas do Brasil sobre o assunto estarão reunidos nos eventos, que ocorrem no Centro de Convenções Frei Caneca. Nomes como o economista Luiz Gonzaga Beluzzo (professor da Unicamp) e o professor Nuno Cobra (autor do livro “A Semente da Vitória”) já confirmaram presença.