Pautas
Esclarecimentos Teixeira, Martins & Advogados
A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostra que quando interesses financeiros se sobrepõem ao interesse público, o jornalismo foge pela porta dos fundos. Embora tenha recebido informações factuais, comprovadas, e documentos ao longo dos últimos dois anos, O Estado de S. Paulo faz uma opção por alegações ordinárias e improváveis para construir o texto produzido para sustentar a manchete desta quarta-feira, 4/6 (“Ex-diretora da Anac acusa Casa Civil de favorecer comprador da Varig”). O jornal associou-se a dois personagens afastados de suas atividades por acusações diversas e graves e torna-se porta-voz de interesses escusos, em que réus travestem-se de acusadores, em uma espantosa inversão de valores. Pretendeu transformar uma questão empresarial e judicial em uma questão política.
Enquanto esteve na Agência Nacional de Aviação Civil, a diretora Denise Abreu fez de tudo para impedir o restabelecimento da VarigLog e da Nova Varig. Uma autorização que deveria ser emitida em 30 dias demorou cerca de um ano. Linhas foram transferidas a outras companhias sem os requisitos legais. Sucessivas proibições dificultaram o resgate da companhia aérea. Uma rápida pesquisa na internet mostra às pessoas de boa fé que a senhora Denise Abreu atuou inúmeras vezes para impedir a reestruturação da Varig. Mas o mesmo jornal que acompanhou o calvário da empresa, por falta de memória, talvez, fala hoje que a empresa foi “favorecida”. O encerramento das atividades da VarigLog e da Nova Varig só não ocorreu pelas firmes decisões do Judiciário. Porque foi a Justiça que fez prevalecer os direitos da empresa.
Quanto ao senhor Marco Audi — cujo verdadeiro perfil o jornal já tem conhecimento, mas omitiu de seus leitores —, todas as informações relacionadas à vida real da VarigLog encontram-se no processo que tramita na 17ª Vara Cível de São Paulo, que a reportagem do Estadão não teve o entusiasmo de procurar. Naquele processo há documentos relevantes que revelam quais foram os reais beneficiários de pagamentos realizados pelo Sr. Audi com dinheiro da VarigLog. Infelizmente, uma declaração que, por ser mentirosa, jamais será comprovada, tem mais peso para o jornal do que documentos oficiais.
Nessa mesma linha, o Estado desrespeita a verdade e os leitores para dizer que o Escritório Teixeira, Martins e Advogados um dia advogou para Audi e hoje advoga para o empresário Lap Chan. Se os jornalistas não sabem sequer para quem foram prestados os serviços jurídicos, como podem querer escrever sobre um assunto tão complexo? Nem ingenuidade, nem despreparo podem ser apresentados como atenuantes para uma reportagem que mal esconde a parcialidade de seus autores. Até porque o próprio jornal já publicou reportagens e entrevistas anteriores do próprio Sr. Audi em sentido totalmente contrário daquele ora divulgado (vide matéria do jornalista Lourival Sant’Anna, de 29.04.2007). Tivesse a mesma afeição pelo jornalismo que o signatário tem pela ética e por sua profissão, a direção dessa publicação não permitiria que uma ficção e bobagens ofensivas como essas fossem veiculadas. Fica para a história do centenário Estadão, cuja reputação não se contesta, essa mancha lamentável: o dia em que a manchete do jornal foi ocupada por pessoas acusadas de práticas desonestas para atacar a honra de pessoas dignas e corretas.
Teixeira, Martins & Advogados
