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Advogados da família Bianchi questionam pedido de extradição do filho da brasileira

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O advogado Sérgio Tostes, que defende a família brasileira do menino cuja a guarda está sendo reivindicada pelo pai americano, o modelo David Goldaman, disse que por trás do pedido de tutela do filho há questões de “mera ganância financeira”. Tostes defende a família da brasileira Bruna Bianchi, que há quatro anos trouxe a criança para o Brasil e que morreu no ano passado.

Acompanhado de outro advogado, Sérgio Tostes disse à Agência Brasil, que Goldman jamais demonstrou interesse pelo filho, nos últimos anos, e que nunca deu um telefone ou pagou pensão à criança.

“Ele [David Goldman] só resolveu se movimentar depois que a Bruna [Bianchi] morreu”, disse. “Armou todo esse aparato de mídia. Se ele é um pai que gosta do filho, deveria respeitar o menino e não armar todo esse circo. Basta estabelecer afetividade”, afirmou.

Para os advogados, o americano “quer aparecer” e se beneficiar da herança que Bruna deixou para o filho. “Como ela era uma menina que tinha patrimônio e o menino é herdeiro da mãe, se o americano ficar com a guarda, administrará o patrimônio do filho. Há um interesse financeiro”, disse.

O advogado da família Binachi também questionou a interferência do governo americano no caso e comenta a aprovação de um documento pelo Congresso dos Estados Unidos, pedindo a extradição da criança. Tostes disse que a incitativa “invade a soberania brasileira”.

“Esse é um simples caso de Direito de Família. Dentro de cada país funciona a autonomia de suas próprias leis. Não há justificativa para nenhuma interferência dessa natureza. O caso está sendo politizado”, afirmou.

Na quarta-feira (11) a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado abordou o caso. Os senadores aprovaram um convite para que o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, explique o motivo de a Advocacia-Geral da União ter entrado no caso.

David Goldman disputa a guarda do filho com a família da brasileira. Ele chegou ontem (11) ao Rio de Janeiro para fazer exames médicos pedidos pela Justiça brasileira. O caso está na 16° Vara da Justiça Federal.

A família da brasileira não confirma, mas também não nega um possível encontro entre o americano e o filho. A criança vive com a irmã mais nova e o padrasto, que detém a guarda do menino.

De acordo com Tostes, a Constituição do Brasil estabelece que mais importante que o pai biológico é a relação sócio-afetiva. “Pai é aquele que cria”, afirmou.

Procurados, os advogados brasileiros de David Goldman não atenderam à reportagem da Agência Brasil