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Jornal da Tarde

Segurança da Dona Deôla é solto

Justiça revogou prisão do acusado de matar a facada empresáriodo Grupo Europa

JOSMAR JOZINO, josmar.jozino@grupoestado.com.br

A Justiça soltou anteontem o segurança Eduardo Soares Pompeu, 47 anos, acusado de matar a facada o empresário Dácio Múcio de Souza Júnior, 29 anos, filho do dono do Grupo Europa. O crime aconteceu em 27 de dezembro de 2009, na padaria Dona Deôla de Higienópolis, região central da capital. O juiz Alberto Anderson Filho, presidente do 1ºTribunal do Júri, revogou a prisão temporária de 30 dias por entender que o acusado tem endereço e emprego fixos, não possui antecedentes criminais e se apresentou espontaneamente à Polícia Civil.

O juiz também negou o pedido de prisão preventiva do acusado, argumentando que “por ora não se vislumbra a presença dos requisitos legais para que ela pudesse ser decretada”. Na madrugada de 27 de dezembro, o empresário foi à padaria com a irmã Nathália Curti de Souza, de 20 anos. Segundo ela, o rapaz discutiu com o segurança porque Pompeu teria ofendido verbalmente a jovem uma semana antes. Avisada por uma funcionária da padaria de que o segurança tinha uma faca sob a camisa, Nathália saiu para buscar o carro. Ao voltar, afirmou à polícia, encontrou o irmão esfaqueado.

Na decisão, o magistrado diz: “Documentos juntados mostram a opinião pública bastante dividida quanto aos fatos, sendo relevante lembrar que, na hipótese de o réu ser pronunciado, será julgado pelo Conselho de Sentença, composto por pessoas do povo”.

O advogado do segurança, Fábio Tofic Simantob, disse que na petição encaminhada à Justiça pela não decretação da prisão preventiva de seu cliente juntou aos autos várias cópias de comentários na internet sobre o crime. “O caso virou um fórum de debate. Alguns condenaram e outros colocaram em dúvida a atitude de Pompeu”, afirmou o defensor.

Simantob disse ainda que o segurança passou 30 dias de “angústia e incerteza” numa cela da carceragem do 77º DP (Santa Cecília). O advogado acrescentou que Pompeu não reclamou das condições da prisão, mas da falta da filha de 14 anos, portadora de hidrocefalia. “Ele é separado da mulher e cuidava da menina. Depois da prisão teve de deixá-la com sua irmã, que mora de perto de sua casa, em Perus, na zona oeste.”

Pompeu se apresentou no 77º DP no final da noite de 30 de dezembro. Segundo a Polícia Civil, ao ser interrogado, ele alegou que agiu em legítima defesa e que foi xingado, humilhado e agredido por Souza Júnior. A irmã do empresário foi ouvida e negou a versão do segurança.

O jornalista Marco Antonio Simon, assessor de imprensa do Grupo Europa, disse que a família de Souza Júnior recebeu com tristeza a notícia sobre a libertação de Pompeu. “Os familiares ficaram chocados com a decisão judicial e entendem que o assassino deveria continuar preso, pois matou sem chance de defesa, fugiu e agora está em liberdade. Isso é triste. A família espera que o Ministério Publico recorra da decisão e tome as providências para que ele retorne à prisão”, afirmou. A promotora Maria Gabriela Stemberg não quis se manifestar sobre o caso porque não havia recebido cópia da decisão judicial.

CRONOLOGIA

27/12/2009

Dácio Múcio de Souza Júnior foi com a irmã Nathália Curti de Souza à padaria Dona Deôla em Higienópolis. Ele discutiu com o segurança Eduardo Soares Pompeu, que teria ofendido sua irmã na semana anterior, e foi esfaqueado

30/12/2009

Pompeu se apresentou no 77º DP e alegou legítima defesa

02/02/2010

A Justiça revogou a prisão do segurança por entender que o acusado tem residência e emprego fixos, não possui antecedente e se apresentou espontaneamente