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Ministério Público entra com liminar para cancelar adoção de novos plugues e tomadas

Marina Gazzoni, iG São Paulo

A adoção de um padrão nacional para plugues e tomadas brasileiras pode ser interrompida. O Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR) entrou, dia 26 de janeiro, com um pedido de liminar para cancelar o processo de padronização, que passou a vigorar neste ano para produtos eletroeletrônicos.

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), órgão à frente da padronização, apresentou na sexta-feira, dia 5, sua defesa à 2ª Vara Federal de Curitiba. Se o pedido do MPF for acatado, a decisão vale para todo o País e vai liberar a comercialização de equipamentos adaptados para qualquer modelo de plugue ou tomada.

A ação civil pública do MPF-PR não é a primeira iniciativa contra a padronização. Uma proposição do deputado federal Celso Russomanno (PP/SP) também pediu a suspensão do processo em novembro de 2009. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados.

O padrão nacional foi criado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em 1998 e aprovado pelo Inmetro em 2000, mas a maioria dos consumidores conhecerá as novas tomadas e plugues neste ano. Desde primeiro de janeiro, o varejo só pode vender eletroeletrônicos nacionais ou importados com o novo modelo de plugue. Com a escolha de um padrão, os consumidores terão de trocar as tomadas de casa ou comprar adaptadores para poder usar os equipamentos eletroeletrônicos.

Para o Ministério Público, a adoção de um padrão brasileiro foi um erro, porque gera um custo de adaptação ao consumidor e uma incongruência em relação aos modelos usados no exterior. “O Brasil não pode adotar um padrão exclusivo”, afirma o procurador da República do Paraná, Sérgio Arenhart. “Isso dificultará a entrada de produtos importados e prejudica o consumidor.”

O advogado José Del Chiaro, ex-Secretário de Direito Econômico, concorda. “Essa iniciativa pode inibir a importação, porque os fabricantes estrangeiros terão que trocar os plugues dos produtos para vender ao Brasil.”

Segurança

Hoje há 110 padrões diferentes para regulamentar o uso de plugues e tomadas no mundo. No Brasil, não havia um padrão antes da iniciativa do Inmetro e da ABNT e mais de dez modelos desses produtos são utilizados no País. “Como não há um consenso internacional, escolhemos um padrão brasileiro com base em três critérios: segurança, custo e adaptabilidade à realidade do Brasil”, afirma Alfredo Lobo, diretor de qualidade do Inmetro.

Um dos principais motivos para adoção de um padrão foi a ocorrência de acidentes com tomadas inseguras, segundo Lobo. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 15 mil pessoas morreram no Brasil por esse motivo entre 1996 e 2007.

O Ministério Público não acha o argumento convincente. “As pessoas vão comprar adaptadores para usar os eletroeletrônicos novos. Mas o uso desses dispositivos é mais arriscado ainda do que as tomadas antigas”, afirma Arenhart.

Já a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, disse que a padronização era uma medida necessária para melhorar a segurança das tomadas, mas que faltou tempo para o consumidor se adaptar. “A transição deveria ser gradual. Equipamentos com plugues novos e velhos deveriam estar disponíveis para o consumidor.”

Faltam adaptadores para novas tomadas e plugues no varejo

Marina Gazzoni, iG São Paulo

A primeira reação dos consumidores frente ao novo padrão de tomadas e plugues foi buscar uma solução provisória e mais barata. Em vez de trocar as tomadas das residências e os plugues dos eletroeletrônicos, boa parte da população está investindo em adaptadores, segundo estimativas do varejo e da indústria do setor.

A demanda por tomadas e plugues não foi alterada pelas novas regras, afirma Fabián Yaksi, gerente de tecnologia e política industrial da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), que representa os fabricantes desses utensílios. Mas, nos últimos dois meses, o volume de pedidos de adaptadores está entre 10% e 20% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

Apesar de o varejo poder vender tomadas do modelo velho até 2011, cerca de 70% dos equipamentos disponíveis nas lojas já adotam o novo padrão, afirma Marco Aurélio Sprovieri Rodrigues, presidente do SincoElétrico (Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos no Estado de São Paulo).

Rodrigues diz que há uma demanda grande por adaptadores e que os produtos já estão em falta em grandes redes de varejo e lojas especializadas, principalmente os utilizados para ligar equipamentos com os plugues novos em tomadas velhas. “Apenas em dezembro o governo liberou a fabricação dos adaptadores reversos. Antes só se fabricava o que liga a tomada nova ao equipamento velho, que tem menos demanda.” O preço médio do produto também está entre 15% e 20% maior neste ano, segundo o presidente do SincoElétrico.

O varejo do setor eletroeletrônico se posicionou contrário à adoção de um padrão nacional para tomadas e plugues no início das discussões sobre o tema, com o argumento de que isso provocaria um problema de conexão no Brasil. Agora que o processo está em curso, eles discordam dos pedidos de órgãos públicos para cancelar a decisão. “Os fabricantes investiram para se adaptar às novas regras e o varejo está estocado com os novos modelos. Eles deveriam ter agido antes”, afirma Sprovieri.