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Elas querem seguros que tenham ‘cara de mulher’
Crescimento da participação feminina no mercado das seguradoras faz com que empresas lancem produtos para atender às necessidades específicas delas, como, por exemplo, cobertura para tratamento de câncer de mama
MARCOS BURGHI, marcos.burghi@grupoestado.com.br
Preocupada com o histórico de câncer de mama na família, a advogada Maria Fernanda Assis, de 28 anos, decidiu contratar um seguro que cobrisse o tratamento da doença a partir do diagnóstico. Após tomar conhecimento de uma cobertura que oferecia a opção, informou-se junto à seguradora e comprou a apólice. “Vivi o problema muito de perto, por isso resolvi me precaver”, conta.
O cuidado da advogada se justifica. De acordo com estimativa do Instituto do Câncer do Estado, 70% dos casos da doença entre as mulheres atendidas pela instituição atingem os seios. Atentas ao problema, algumas companhias oferecem apólices de seguro de vida com a possibilidade da liberação de parte do capital segurado para tratamento da doença, assim que diagnosticada.
Maria Fernanda fez a opção pelo ‘Vida Mulher’, apólice comercializado pela Mapfre Seguros, que, além da cobertura para tratamento contra câncer de mama ou útero, oferece dicas de nutrição e um número de telefone por meio do qual a consumidora pode bloquear aparelho celular e cancelar cartões bancários caso tenha a bolsa roubada.
Embora não haja números consolidados, a procura por esse tipo de seguro cresceu. Na Itaú Seguros, o volume de contratos do Itauvida Mulher, que também cobre tratamento após diagnóstico de câncer, cresceu 130% entre 2008 e 2009. Segundo Carolina Guerra, gerente de Produtos Vida da companhia, hoje as mulheres são titulares de metade das apólices de seguro de vida da empresa. Há cinco anos, elas correspondiam a 30% da carteira vida. “As mulheres participam cada vez mais do mercado de trabalho e das decisões das famílias”, afirma.
De acordo com Carolina Guerra, a maioria das consumidoras do produto são mulheres maduras, com mais de 40 anos e que também buscam proteção para os filhos em caso de morte. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres estão à frente de 35% das famílias brasileiras.
Edson Lara, diretor de Produtos da HSBC Seguros, afirma que a empresa não formatou produtos específicos para mulheres, mas clientes do sexo feminino contam com serviços adicionais específicos. “Oferecemos desde assistência a gestantes até personal trainer por telefone”, diz.
Carolina de Molla, diretora técnica de Vida e Previdência, da Sulamérica Seguros, afirma que as apólices firmadas por mulheres são 44% da carteira da empresa. Além do ‘Você Mulher’, seguro de vida que cobre tratamento de câncer e dá dicas nutricionais, a empresa comercializa o ‘Auto-Mulher’, seguro de automóvel que além das coberturas tradicionais oferece motorista para levar o automóvel até o endereço que a segurada determinar, em caso de emergência.
De acordo com Luiz Pomarole, vice-presidente da Porto Seguro, a empresa dá desconto de 8% nas apólices de seguro de vida em nome de mulheres, e, se as contratantes não fumam, o porcentual sobe para 13%. “O volume de desembolsos em indenizações de apólices de mulheres é 20% menor que os desembolsos para coberturas de clientes do sexo masculino”, diz.
Leôncio de Arruda, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado (Sincor-SP), alerta que, antes da definição sobre o produto a ser adquirido, é preciso verificar com calma as coberturas e, principalmente, as exclusões, isto é, as ocorrências em que o seguro não poderá ser utilizado. “Mesmo as alternativas específicas para mulheres têm características distintas entre si, inclusive no caso de idade”, lembra.
Ele sugere que, antes de buscar uma empresa ou um seguro, os consumidores devem pedir a ajuda de um corretor de confiança.
Presença cresce nos planos de previdência
As mulheres também têm participação considerável no mercado de previdência privada. Oswaldo Nascimento, vice-presidente da Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), estima que os planos contratados por elas representam 50% do total do segmento. “A mulher aumentou sua participação em todos os setores da sociedade e é natural que se preocupe mais com seu futuro”, avalia.
Nascimento explica que o mercado não conta com produtos formatados especialmente para as mulheres, mas os contratos firmados por elas guardam uma particularidade: segundo ele, em geral, quando contratam um plano, compram junto um seguro contra perda de renda em nome dos filhos. “Em geral, se preocupam mais com os filhos que com os maridos”, conta.
Nascimento afirma que a semelhança entre os contratos feitos por homens e mulheres limita-se ao tipo de plano. Ambos preferem o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), mais indicado para quem faz a declaração de Imposto de Renda no modelo simplificado.
Sandro Bonfim, gerente de Inteligência de Mercado da Brasilprev, afirma que desde 1994 quanto a companhia foi criada, até 2009, a participação feminina na carteira de planos de previdência da empresa saltou de 29% para 43%. “A estimativa é que nos próximos dois anos chegue a 50%”, diz.
Bonfim afirma que, entre as clientes da Brasilprev, 44% têm até 30 anos, e 56% são solteiras. “Nossas clientes buscam a realização de um projeto de longo prazo”, afirma.
Edson Lara, diretor de Produtos da HSBC Seguros, afirma que, em 2008, as mulheres eram 22% da carteira de previdência da companhia, e, no fim de 2009, a participação havia subido a 66%. “Pelo perfil de nossas clientes, concluímos que as mulheres se preocupam mais com os filhos que com elas mesmas”, afirma.
Bento Zanzini, vice-presidente de Vida e Previdência da Mapfre Seguros, afirma que, embora não tenha números, nota que as mulheres têm procurado mais os produtos de previdência da empresa.
Zanzini afirma que as mulheres que buscam as alternativas da Mapfre são profissionais estabilizadas no mercado de trabalho, com recursos para viver com qualidade e guardar parte para projetos futuros. “Não queremos oferecer produtos cor-de-rosa, para um tipo de mulher do passado. Estamos atentos às atitude da mulher moderna”, diz. (MB)
