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Brasil Econômico

Dólares chineses viram negócios e aquecem mercado

Necessidade de diversificar reserva cambial e fome de matéria-prima levam asiáticos a ampliar investimentos em empresas

Luciano Feltrin

lfeltrin@brasileconomico.com.br

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Setores de siderurgia e mineração (abaixo) se destacam entre os que mais devem receber investimentos chineses

A crise financeira global conseguiu algo aparentemente impossível: testou a milenarmente conhecida paciência chinesa. Preocupados com a recuperação da economia americana e o enfraquecimento do dólar, os asiáticos buscam agora a solução para a raiz de suas preocupações — encontrar ativos nos quais possam investir parte dos US$ 2,4 trilhões acumulados em reservas internacionais. A montanha de dinheiro está quase toda aplicada em títulos atrelados à dívida americana. É um risco que o Dragão Chinês quer reduzir o mais rápido possível. O tema certamente virá à tona na visita oficial do presidente da China, Hu Jintao, ao país, entre quinta e sexta-feira, quando o líder deve assinar um plano de ação para estreitar as relações bilateriais nos próximos cinco anos.

O objetivo de diversificar investimentos, somado à necessidade colossal que os asiáticos têm de obtenção de matérias-primas para sustentar seu ritmo de crescimento,tornam o Brasil um dos destinos preferidos. E já começa a mudar a indústria de fusões e aquisições no país. “Os chineses não estavam acostumados a fazer compras diretas de empresas. Mas perceberam que para se manter como a fábrica do mundo nas próximas décadas precisarão acelerar esse movimento”, diz Celso Costa, sócio do Machado Meyer, que recentemente esteve reunido com mais de 100 investidores do país.

Os setores que despertam o interesse inicial são aqueles em que é possível garantir preço médio e o fornecimento contínuo do produto, explica Carlos Gros, sócio da boutique financeira G5. “Eles veem o Brasil como uma grande oportunidade de aquisição de commodities. As compras que agora estão fazendo de minas para não ficar mais tão dependentes da Vale certamente acontecerão em outros segmentos, como o de celulose e óleo”, projeta.

Os chineses, entretanto, não têm apetite apenas pela aquisição de empresas que fornecem matérias- primas. O setor automotivo, cuja atuação asiática vem ganhando peso nas últimas décadas, é um exemplo disso, afirma Maurício Schutt, sócio da GVL, boutique financeira que no ano passado assessorou a compra da montadora de motos Kasinski pela chinesa CR Zongsheng. “Os chineses são muito competitivos no segmento. Sabem que há muito espaço para vender motos no Brasil e têm experiência para participar da ampliação desse mercado.”

“Os chineses não estavam acostumados a fazer compras diretas de empresas fora de seu país. Mas perceberam que só conseguirão se manter como fábrica domundo se acelerarem essemovimento”
Celso Costa, sócio do Machado Meyer

O interesse pelo setor automotivo não deve movimentar apenas as montadoras.Em algum momento, a cadeia toda será atingida. “Assim como aconteceu com Ford e GM quando chegaram ao Brasil, haverá em breve grande interesse de fabricantes chinesas de autopeças em investir no país”, compara Carlos Asciutti, sócio da área de transações corporativas da Ernst&Young.

A força do agronegócio brasileiro também faz do setor alvo dos chineses. “Eles querem saber onde estão as oportunidades para ir às compras. O setor, no qual prevalece um alto grau de pulverização de empresas, também interessa aos investidores estratégicos, grandes empresas que querem se posicionar no Brasil”, aponta Alexandre Pierantoni, sócio de finanças corporativas da PricewaterhouseCoopers. O especialista prepara visita à China no final do mês para levar oportunidades de negócios aos asiáticos.

A variedade de segmentos de interesse dos chineses vai além. “Tenho mandato de uma empresa que está avaliando aquisições no setor de casas pré-fabricadas”, diz Daniella Tavares, sócia do escritório Leite, Tosto e Barros.

É difícil dissociar os limites entre interesses governamentais e privados na movimentação chinesa no Brasil. “Ex-estatais, que hoje são empresas de capital aberto estão com muito apetite. Representamos uma que tem interesse em etanol, açúcar, usinas, fábricas de fertilizantes e já possui 400 navios. O governo chinês comprou parte de seu capital”, diz Christian Roschmann, sócio do Lefosse, escolhido por chineses da Wisco para montar o modelo de negócio da siderúrgica que a empresa montara com a EBX, de Eike Batista.■

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Embora seja crescente o apetite de asiáticos por adquirir empresas brasileiras, ainda é pouco comum compras de controle. Com o tempo, o movimento deve ganhar peso.

Atentos às demandas que surgirão com os novos clientes, intermediários de operações reforçam equipes e buscam parcerias para participar de bons negócios.

Depois de se tornarem os maiores compradores de produtos brasileiros e de ampliar a aquisição de empresas, chineses estão interessados em ações da bolsa.

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ASIÁTICOS VÃO ÀS COMPRAS

● Investidores da região ainda têm participação bastante modesta em fusões e aquisições de empresas brasileiras. Segundo dados recentes da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), somaram pouco mais de 10% das compras de empresas estrangeiras no Brasil durante o ano passado. É um percentual bastante modesto se levarmos em consideração que as quatro principais economias do globo estão no continente: China (PIB de US$ 7,9 trilhões), Japão (PIB de US$ 4,3 trilhões) e Índia (PIB de US$ 3,2 trilhões).

● Tudo indica que essa fatia vai aumentar bastante nos próximos anos. “Será algo gradual, mas já é perceptível. E vai ganhar ainda mais peso quando a China começar a investir em setores mais industrializados e havendo a possibilidade de a India, cuja indústria farmacêutica é forte, resolver fazer aquisições no Brasil”, exemplifica Bruno Amaral, coordenadora da Subcomissao de fusões e aquisições da Anbima.


Atentos a consumo e renda, coreanos buscam espaço

Levado à frente por investidores privados, movimento atinge empresas dos mais variados setores da economia

A fila é puxada por chineses, mas outras nações asiáticas também têm demonstrado grande interesse por comprar empresas no Brasil. Ao contrário do Grande Dragão, mais preocupado em abastecer a própria casa de alimentos e matérias-primas, os investimentos de seus vizinhos levam em consideração o crescimento da economia brasileira e os setores que o impulsionam. Um exemplo são investidores privados coreanos, que buscam novos negócios por aqui. “Recebo demandas de coreanos praticamente todos os dias. É uma economia pequena, de pouco mais de 40 milhões de habitantes. Até por isso, são muito mais dinâmicos que os chineses e estão se posicionando em diversos setores. Há coreanos investindo em estaleiros, Tecnologia da Informação, consumo e linha branca”, afirma Shin Kim, sócia do TozziniFreire na área de investimentos estrangeiros.

Coreanos também miram investimentos em imóveis. “Temos clientes interessados nesse segmento. É uma boa aplicação para quem está tateando o mercado local, pois deve continuar crescendo com a economia brasileira se expandindo. Além disso, é mais palpável”, diz Daniella Tavares, do Leite, Tosto & Barros.

Já os indianos estão prospectando oportunidades de aquisição de usinas de açúcar e álcool. Também estão atentos a bons negócios no setor automobilístico, comenta Carlos Asciutti, sócio da Ernst &Young.

Segundo Shin Kim, do TozziniFreire, que participa ativamente da chegada da Hyunday em Piracicaba, também é crescente a demanda de investidores do Sudoeste asiático por empresas brasileiras. “Malaios e indonésios, que raramente investiam no Brasil, começam a ter interesse.”

Laços culturais

Há muito tempo presentes no país, grandes marcas japonesas passaram a ser alvo de investidores locais. Em março, o BTG Pactual, capitaneado por André Esteves, comprou fatias das montadoras Suzuki e Mitsubishi. Ambas operavam no Brasil com capital nacional, fundadas pelo empresário Eduardo Souza Ramos. “O japonês vê o Brasil de uma forma completamente diferente do chinês. A China é imensa e, quando olha ao lado, vê a também gigante Índia”, diz Carlos Gross, da G5. “Já o Japão, por não ser tão grande e não viver um bom momento econômico, tem a necessidade de crescer para fora. O Brasil, com a maior colônia de japoneses do mundo, é o melhor lugar para se fazer isso”. ■

 

Profissionais se preparam para novas demandas

Escritórios de advocacia e butiques financeiras buscam parcerias e formam grupos de especialistas para aproveitar oportunidades de negócios

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Schutt, da VGL: como o mercado de fusões e aquisições é pulverizado, haverá espaço para butiques de menor porte, que dão atendimento personalizado aos investidores

Luciano Feltrin
lfeltrin@brasileconomico.com.br

O acelerado interesse de investidores asiáticos pelo mercado brasileiro provoca reflexos imediatos na indústria de fusões e aquisições. Intermediários de negócios — escritórios de advocacia, empresas de auditoria e boutiques de investimento — se movimentam para dar conta da nova demanda. E entender os anseios dos novos clientes para não perder boas oportunidades.

A G5, casa independente de serviços financeiros, é um exemplo dessa corrida. Formalizou há um mês a parceria como Mizuho Securities, um dos maiores bancos de investimentos japoneses.O objetivo é servir de ligação entre nipônicos e brasileiros interessados em negociar ativos dos dois países. “Somos aprova de que não é necessário ser um banco global para conseguir fazer negócios em todos os lugares. O importante é ter um parceiro com um bom time por lá e nós com o que temos de melhor por aqui”, diz um dos sócios da boutique, Carlos Gros.

Já o Tozzini Freire atende grande parte dos investidores coreanos interessados em comprar no Brasil. O Asian Practice Group, comandado pela coreana Shin Kim, conta com 5 sócios que falam a língua do país, 3 que falam mandarim e outros dois que falam o idioma japonês. A mudança na geografia dos negócios envolvendo compra de empresas está surtindo efeitos também na formação acadêmica de especialistas em fusões. “As alterações no contexto global, que dão maior peso à economia asiática, vêm alterando a forma de pensar das maiores universidades americanas. É cada vez mais comum que advogados façam mestrado na Ásia, para aprender a forma deles de negociar”, afirma Paula Andrade, do escritório Tostes & Coimbra.

Diversidade

Quando se trata de chineses, acostumados a um sistema particularmente híbrido, com componentes do capitalismo e do socialismo, o aprendizado está apenas no começo, explica Carlos Asciutti, sócio da Ernst & Young. “O chinês é um investidor em plena maturação e ainda não compreende bem o ambiente regulatório externo. O tema sempre toma boa parte das conversas com eles”.

Esse entendimento é ponto decisivo para que fechem um negócio. Em muitos casos, supera até mesmo possíveis discussões com relação ao preço da transação. “Os chineses temem a subjetividade ocidental. Já tive experiências de negócios em que houve mudança em um valor que tinha de ser considerado por uma questão ambiental. Quando notaram que montante envolvido variava muito, ficavam sem entender ”, diz Daniella Tavares, sócia do Leite, Tosto e Barros.

Ainda em relação aos riscos, os chineses se preocupam bastante em saber quais setores são mais regulados pelo Estado. “Uma das primeiras perguntas que eles fazem é se há algum limite legal para comprar empresas de um ou outro segmento”, diz Christian Roschmann, sócio do Lefosse. “Depois de ter comprado muitos ativos na África, os chineses foram à Austrália, que começou a fixar tetos para compras estrangeiras”, diz.

O escritório conta com um exército de cerca de 500 advogados na China. Os profissionais estão espalhados em escritórios em Hong Kong, Beijing e Xangai. E representam os interesses de investidores estrangeiros no país.No Brasil, alguns falam mandarim. ■

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Aquisição minoritária é porta de entrada Ainda que necessitem agilizar o processo de busca por matérias-primas, asiáticos dificilmente compram controle de empresas Os chineses são comerciantes natos. Compram e vendem desde o início dos tempos. Entretanto, a atual fase — na qual precisam olhar com maior intensidade oportunidades para além de suas fronteiras — é relativamente recente. Certamente por isso, a preferência ainda seja de entrar como minoritário em sociedades. Os chineses colocam o dedo na água para sentir a temperatura antes de adquirir uma empresa estrangeira. “Em geral, iniciam seus investimentos em sistema de joint venture, preferindo manter o controle da companhia com os sócios locais enquanto observam a operação de perto”, diz Celso Costa, sócio do Machado, Meyer.

Parte desse comportamento pode ser atribuído a uma forma particular de fazer negócios. Ela tem estreitas relações com a maneira como os chineses analisam o tempo. “Para eles, o eixo temporal tem um significado bem diferente daquele que as culturas ocidentais têm. O chinês sempre foi um comerciante ativo e usa isso como forma de dizer em que intensidade confia em seus parceiros. Essa confiança é um processo bastante lento”, afirma Fernando Lohmann, sócio da Fesa, que atuou como cônsul-geral de Cingapura (cuja maioria étnica é composta por chineses) no Brasil entre 1994 e 2004.

A aversão a riscos dos asiáticos de forma geral é outra característica que ajuda a explicar a entrada gradual desses investidores no capital das empresas brasileiras, acredita o sócio de finanças corporativas da PricewaterhouseCoopers, Alexandre Pierantoni. “A região tem um histórico associado a perdas e guerras, o que torna os movimentos mais graduais.”

Especialistas avaliam ainda que os chineses só não intensificaram o movimento de aquisições de controle de empresas brasileiras no mercado pela indefinição que seu governo – maior indutor das compras – tem em seu modelo de atuação no mercado estrangeiro. “Essa falta de definição ao olhar para fora de seu território já se traduz em um dilema: preciso comprar grandes quantidades e ainda assim terei de ser minoritário?”, diz o sócio da G5, Carlos Gros.

Embora ainda rara, a compra de controle de empresas por asiáticos no Brasil deve se tornar cada vez mais comum. No final do mês passado, por exemplo, chineses compraram 100% da mineradora Itaminas, por US$ 1,2 bilhão.

Maturação

O fato é que, para os intermediários de operações de fusão, ainda há muito o que aprender para atender bem aos novos clientes. “Toda a nossa educação escolar é voltada para o Ocidente, o que mostra o tamanho do desafio”. Nosso segmento é bastante fragmentado, o que faz com que, com o aumento do apetite de asiáticos, sobre trabalho para pequenos e grandes intermediários”, comemora Maurício Schutt, sócio da VGL, boutique de serviços financeiros que reúne profissionais com passagens por grandes bancos e empresas de auditoria. ■ L.F.

SISTEMA LEGAL CHINÊS


Parceria para atuar com advogados locais

Escritórios de advocacia brasileiros começam a se interessar em parcerias com bancas chinesas. Mais do que uma opção, é uma necessidade para conseguir fechar bons negócios na China. De olho nessas oportunidades, o Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados (DGCGT) formalizou parceria com o escritório chinês Beijing DeHeng Law Office. “Temos dois advogados atuando lá. Quem quer investir na China precisa dos escritórios locais para isso”, diz Luiz Arthur Guimarães, sócio do escritório brasileiro.

Mas essa não é a opção de todos. “Para nós, o que vale não são parcerias formais. Clientes acabam comentando sobre o escritório e indicando para novos trabalhos”, diz Fernando Prado. sócio do Pinheiro Neto.

 

Mercado de capitais é o próximo alvo dos investidores da região

Ofertas de ações de empresas listadas em bolsa e emissões de bônus soberanos despertam a atenção

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Em busca de diversificação, investidores asiáticos devem direcionar cada vez mais recursos a ações de empresas listadas no Brasil

Luciano Feltrin

lfeltrin@brasileconomico.com.br

Os chineses já são os maiores compradores de produtos brasileiros. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o volume de exportações brasileiras à China atingiu US$ 19,9 bilhões no ano passado. Após acelerar as compras de produtos — e agora de empresas do país — preparam um terceiro movimento. O próximo avanço acontecerá no mercado de capitais doméstico, cuja evolução na última década já desperta o interesse asiático. “O interesse dos tigres asiáticos pode ser percebido pelo fato de várias gestoras brasileiras estarem buscando se posicionar no Continente”, diz Ana Carolina Freire, sócia do Tozzini Freire. A demanda deve ser por ações de empresas de setores que têm puxado fusões e aquisições: infraestrutura, logística, óleo, recursos minerais e também imóveis.

A exemplo do que acontece com fusões, o espaço para o crescimento da fatia asiática que investe na bolsa brasileira é enorme. Historicamente, entre 75% e 80% do total das ações emitidas em ofertas fica nas mãos dos principais investidores institucionais estrangeiros. A maior parte desse montante está concentrada em fundos de pensão e investimento americanos e canadenses.

“Já é possível notar que fundos asiáticos estão bastante interessados em ampliar sua participação em emissões soberanas brasileiras”
Fernando Prado, sócio do Pinheiro Neto

Não são apenas as ações de empresas brasileiras listadas na bolsa que atraem os investidores asiáticos. Títulos de dívida privada estão no radar desde meados da década, explica Jean Arakawa, sócio do Mattos Filho. “Entre 2005 e 2006, eles compraram muitos bônus perpétuos de empresas, que são papéis sem uma data fixada de vencimento e, por isso, ficam pagando juros por muito tempo”, diz.

A estabilidade da moeda  brasileira e o fato de o país ter  obtido classificação de grau de investimento de agências de classificação de risco também aumentaram o apetite de asiáticos pelos papéis da dívida pública. “Já é possível notar que fundos da região estão bastante interessados em ampliar sua participação quando o Brasil voltar a captar por meio de emissões soberanas”, afirma Fernando Prado, sócio do Pinheiro Neto. Além de utilizar o mercado de capitais brasileiro para diversificar seus investimentos, a necessidade de garantir o financiamento de grandes projetos dos quais asiáticos pretendem participar – caso do trem-bala – pode fazer com que algumas empresas da região utilizem bolsa ou dívida para levantar recursos, afirmam especialistas. ■

CONCENTRAÇÃO

80%

das ações de empresas brasileiras ficam nas mãos de investidores estrangeiros, a maior parte deles americanos e canadenses.