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Fusões em alta abrem caminho para escritórios de advocacia menores

PAULA ANDRADE CHAVES, SÓCIA DO ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA TOSTES & COIMBRA

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O apetite de estrangeiros por fusões abre caminho para escritórios de todos os tamanhos,justifica Paula Andrade Chaves, sócia do Tostes & Coimbra, de Minas Gerais, especializado em nichos e com atendimento personalizado, que decidiu atuar também em São Paulo.  P40

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Fusões em alta abrem caminho para escritórios de advocacia menores

Atuando no modelo butique, essas bancas tentam se destacar em nichos e com atendimento personalizado

Luciano Feltrin

lfeltrin@brasileconomico.com.br

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A intensa movimentação do mercado de fusões e aquisições está começando a provocar efeitos que ultrapassam as fronteiras das empresas envolvidas nas operações. Com negócios acontecendo por todas as partes e entre companhias de diversos setores e tamanhos, é cada vez mais comum que intermediários de menor porte ganhem espaço e busquem novas estratégias de atuação.Afila é puxada por escritórios de advocacia que atuam como butiques. Coma estrutura mais enxuta que a das grandes bancas, têm em seu DNA a especialização em nichos e a busca pelo atendimento personalizado para cada transação.

Esses dois pontos encorajaram o Tostes & Coimbra, grande em Minas Gerais, onde representa empresas e investidores do setor de mineração, a posicionar se em São Paulo. “O apetite de estrangeiros por fusões abre caminho para escritórios de todos  os tamanhos. Como os grandes participam da maior parte dos negócios de maior porte, surgem conflitos de interesse. Nos Estados Unidos, essa questão é levada muito a sério e começa a aparecer com força por aqui. Com isso, os butiques são chamados para advogar para uma das partes”, diz Paula Andrade Chaves, sócia do escritório.

Um dos segredos de bancas menores está em não segregar áreas de atuação, adequando seu time de acordo com a necessidades específicas, explica Alexandre Navarro, do Navarro Advogados. “Para evitar essa departamentalização, a montagem das equipes que tocam as operações sempre passa por um de nossos três sócios”, afirma.

O escritório recentemente esteve à frente das negociações que resultaram em um acordo que deu à empresa de shoppings Iguatemi  o direito de administrar o complexo Vila Daslu. “Em uma transação desse tipo, é uma grande vantagem que a interlocução entre as partes seja concentrada, o que favorece um escritório menor”, conta Navarro, que ficou isolado por uma semana até o desfecho das negociações.

A força do setor imobiliário também tem estimulado a participação de escritórios butique em diversos tipos de serviços. “No auge dos IPOs do setor, em 2007, participamos da formação e revisão de bancos de terras de

empresas que se preparavam para ir à bolsa”, diz Luciano Mollica, sócio do Bicalho Mollica.  O escritório também está habituado a estruturar operações com títulos de dívida. As demandas aumentaram ainda mais com várias empresas na bolsa. O avanço de diversas delas que pretendem comprar terrenos para expansão de negócios tem ampliado as consultas a escritórios como o Natal, Locatelli e Lopes de Almeida, que tem como cliente a Gafisa.

“Um terço do nosso faturamento vem de atividades ligadas à compra de terrenos e à sua regularização”, diz um dos sócios da banca, Eduardo Gonzaga. No momento, outro foco do escritório é estruturar fusões e aquisições de empresas de pequeno e médio portes.

Prateleira variada

Diversificar a atuação, conseguindo lidar com serviços variados — da arrumação societária de empresas familiares à consultoria de assets e fundos de private equity de pequeno porte, passando pelo universo dos fundos de investimento em crédito de carbono. Essa tem sido a estratégia do escritório Leoni Siqueira para aproveitar o bom momento da economia brasileira. “Todos os sócios conhecem bastante as áreas em que atuam. E, por isso, palpitam bastante. Temos participado de projetos de arrumação de empresas familiares. Mas também de negócios envolvendo grandes clientes das áreas de telecom, varejo e agronegócio”, diz o o sócio Flavio Leoni  Siqueira.

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O desafio de ganhar espaço sem crescer

Escritórios menores sabem que uma das chaves do sucesso é manter a estrutura adequada

clip_image010A crise deflagrada em2008 deixou uma amarga lição para os escritórios de advocacia: crescer demais em tempos de bonança pode ser arriscado. Empolgadas com o apetite de empresas e investidores que buscavam a bolsa em 2007, muitas bancas reforçaram a estrutura contratando profissionais.Quando o mercado se fechou, tiveram de desfazer os planos com a mesma velocidade. “Isso aconteceu com escritórios grandes e é algo que os menores monitoram de perto. Crescer demais faz com que você não suporte retrações de mercado e que a qualidade de seu trabalho caia rapidamente”, afirma José Carlos Vergueiro, sócio do Velloza, Girotto e Lindenbojm.

Em diversos aspectos, o trabalho de escritórios butique se parece muito com o de um daqueles profissionais que atendem o cliente em casa, conhecem seus gostos profundamente e usam mimos para mantêlo. Por isso, crescer demais pode passar a mensagem errada: a de que o cliente passará a ser tratado com mais um. “É como comparar alta costura com produção em grande escala”, define Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários e atual sócio do Motta, Fernandes, Rocha Advogados. “Os grandes escritórios trabalham de forma padronizada, o que funciona bem nas operações que podem se tornar commodities, mas não naquelas mais sofisticadas ou nas quais o envolvimento pessoal é decisivo para o sucesso do negócio.”

Já passaram pelo “ateliê” de Cantidiano operações complexas envolvendo grandes empresas. Casos das combinações de negócios entre Aracruz/Votorantim e PDG/Agre.

Com o Velloza, Girotto e Lindenbojm não tem sido diferente. O escritório, que até o final dos anos 90 tinha como principal atividade a área tributária, vem ganhando espaço em fusões e aquisições. Esteve à frente,

por exemplo, dos acordos entre Banco do Brasil e Principal em previdência privada, da Mapfre com o mesmo banco no ano passado, e da compra pela instituição federal de parte do banco Votorantim.