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Pesquisa mostra quais fatores influenciam na retenção de talentos nos departamentos jurídicos

Manter uma equipe afinada e altamente capacitada no exercício de suas funções é fator decisivo para a excelência no desempenho de qualquer departamento e, por consequência, de uma empresa. Ao montar ou remodelar um departamento, muitas companhias não hesitam em buscar na concorrência os profissionais mais capacitados, tendo por base os bons resultados obtidos. Portanto, implementar e manter uma política eficaz de retenção de talentos é fundamental para assegurar a permanência de uma empresa no mercado. Tanto que não é infundado o conceito corrente de que os recursos humanos são o maior e mais precioso patrimônio de uma companhia.

Para avaliar quais os fatores contribuem para um baixo turn over, o Fórum de Departamentos Jurídicos (FDJUR) ouviu profissionais dos departamentos jurídicos (advogados, assessores e coordenadores , gerentes e diretores) de empresas de grande porte como Abbot Laboratórios, Eternit, Monsanto do Brasil, Nextel, Souza Cruz, Editora Abril, Grupo Pepsico, Grupo Votorantim, Magazine Luiza, Sodexo, International Paper do Brasil, entre outras. (Veja abaixo os quadros com os resultados da pesquisa.)

Uma primeira leitura dos resultados desta pesquisa leva a pensar que a boa remuneração é fator decisivo, mas trata-se de um engano, segundo José Nilton Cardoso de Alcantara, diretor presidente FDJUR. “A remuneração deve estar de acordo com o mercado, mas não é mais o fator decisivo. Se não houver uma política de retenção, o profissional sairá assim que receber uma proposta melhor”, sentencia Alcântara. Daí a importância da pesquisa, ao ouvir dos próprios protagonistas quais fatores determinantes para sua permanência na empresa. “O segredo é saber conjugar os vários critérios para reter e, mesmo, atrair os melhores profissionais”, explica.

Além da questão salarial, a pesquisa revela que o bom ambiente de trabalho é um importante fator de retenção para advogados, assessores, coordenadores e gerentes, à execeção dos diretores que, antes, privilegiam bônus e premiações. Segundo Alcantara, mais que simples tendência, a necessidade de um bom ambiente de trabalho é fato consumado. “Qualidade de vida, inclui necessariamente o âmbito profissional, até porque dedicamos a maior parte de nosso dia ao trabalho”, observa.

O fator hierárquico, de acordo com Alcantara, explica a opção dos diretores pelos bônus e prêmios. “A partir de uma determinada posição torna-se mais difícil obter promoções. Assim, esses profissionais tendem a assumir grandes desafios ambicionando melhorar seus bônus e premiações”.

Por motivos semelhantes, a pesquisa revela interesse dos diretores jurídicos de participar mais das decisões. “Isso decorre de sua posição e da necessidade de conquistar cada vez mais espaço dentro da empresa”, explica o presidente do FDJUR.

Chama a atenção na pesquisa o fato da segurança e estabilidade virem listadas em último lugar no ranking dos principais fatores para reter um talento. “Os profissionais da área jurídica tem a percepção de que hoje em dia o mercado é mais volátil e competitivo, portanto, o que garante sua posição é a entrega de resultados”, ressalta Alcantara.

Sobre o FDJUR

Criado em 2007, o FDJUR visa disseminar os modelos e ferramentas de gestão existentes no mercado para o segmento de departamentos jurídicos e incentivar os associados ao estudo, desenvolvimento, intercâmbio e ampliação de sua base de conhecimento e experiência. Tem como meta, em curto prazo, se tornar o centro de referência nacional no estudo e debate dos modelos e ferramentas de gestão existentes no mercado para o segmento de departamentos jurídicos.
Atualmente, o FDJUR conta com cerca de 300 associados – a maioria diretores jurídicos de algumas das maiores empresas em atuação no País.