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Goleiro Bruno do Flamengo deixará de acumular patrimônio de R$ 30 milhões com interrupção da carreira
Ana Paula Cardoso
RIO – Uma carreira promissora, interrompida pela acusação de participação em um crime. O caso do goleiro do Flamengo Bruno, principal suspeito no desaparecimento e possível assassinato de Eliza Samudi o, ex-amante e provável mãe de um filho do jogador, impedirá o atleta de acumular um patrimônio financeiro de cerca de R$ 30 milhões. Isso sem contar a possibilidade da venda do jogador para o Milan, na Itália, o que lhe garantiria uma renda mais alta ainda.
Caso Bruno mantivesse até os 37 anos sua última remuneração mensal – estimada em R$ 250 mil, somando-se o salário que recebia no Flamengo com o complemento de 25% do patrocinador – poderia chegar ao fim de sua carreira com R$ 30.245.111,95 na sua conta.
- Considerei gastos mensais de R$ 50 mil reais e sobra de R$ 200 mil, aplicada em investimento indexado pela poupança, com rendimento de 0,6% ao mês, em 11 anos. A projeção baseia-se numa estimativa de gastos gerais de manutenção, sem investimentos ou aquisição de patrimônio novo – explica Gilberto Braga, especialista em finanças pessoais e professor do Ibmec/RJ.
O período para o cálculo considerou ainda que o tempo de vida profissional de um goleiro é mais longo em relação a atletas que jogam em outras posições.
- Temos hoje grandes goleiros, como o holandês Van der Sar, que renovou até 2011 o contrato com o clube inglês Manchester United com 38 anos. É claro que o atleta precisa se cuidar, treinar, tratar da saúde. Mas a vida profissional de um goleiro dura, em média, até os 37 anos – diz Guilherme Guimarães, consultor de marketing esportivo da Ativa Esportes.
Sem renda e com mais despesas
O Flamengo e o patrocinador do goleiro, a Olympikus, suspenderam o salário e contrato do jogador. Como não se tem conhecimento de outra fonte de renda de Bruno, é possível que o atleta hoje esteja sem receita. Nesse caso, as finanças ficam ainda mais comprometidas.
- Talvez seja preciso se desfazer de algum patrimônio, porque ele tem filhos e as despesas continuam e até aumentam, com os custos de advogados – comenta Braga, do Ibmec.
Ainda de acordo com os cálculos do especialista em finanças Gilberto Braga, se Bruno fizesse um acordo amigável com a mãe e custeasse o filho até 24 anos teria uma despesa total atualizada de R$ 1,619 mil.
- Um advogado criminalista conceituado na cidade de São Paulo, em geral, cobraria mais que isso para fazer a defesa de um caso similar – conta Sergei Cobra Arbex, advogado criminalista e diretor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo.
O processo custa caro porque um caso como esse, de comoção nacional, com vários suspeitos envolvidos, com mais de um réu a ser defendido, mobiliza um escritório de advocacia inteiro.
- O custo pode aumentar bastante. Muitas vezes a a complexidade do caso exige exclusividade do escritório – complementa Thaís Aroca Datcho Lacava, advogada criminalista do escritório Eduardo Antônio Lucho Ferrão Advogados Associados.
Quanto à carreira de Bruno, dificilmente será retomada, pelo menos não no patamar de ascensão no qual se encontrava.
- Independente do desfecho jurídico do processo e investigação, o fim parece indelével – acredita José Estevão Cocco, especialista em marketing esportivo e presidente da J. Cocco Comunicação e Marketing.
