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Correio Braziliense

A defesa mais cara do goleiro

Especialistas avaliam que honorários pagos a advogado possam chegar a R$ 2 milhões

Rodrigo Couto

clip_image002Arruinado publicamente e profissionalmente, o goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, 25 anos, deve gastar nos próximos dois anos com a sua defesa e as dos outros cinco acusados pelo desaparecimento de Eliza Samudio, também com 25 anos, algo próximo a R$ 2 milhões. A estimativa é do presidente da Academia Paulista de Direito Criminal, Romualdo Sanches Calvo Filho. Em sua opinião, a cifra é facilmente atingida, considerados a experiência, a dedicação e os títulos do advogado de defesa do atleta, além da complexidade da causa e da possibilidade econômica do suspeito. “Somando-se outros aspectos, como a magnitude do caso na mídia, o maior esforço para convencer os jurados e o juiz, o trabalho e a dedicação exigida, não acho difícil que o gasto com honorários ultrapasse R$ 1 milhão”, afirma.

Questionado sobre o patrimônio do atleta, o advogado Ércio Quaresma, que defende Bruno e Dayanne de Souza, mulher do atleta, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, Elenilson da Silva, Wemerson Marques e Flávio de Araújo, diz que o goleiro enfrenta dificuldades financeiras. “Existe um grupo de amigos verdadeiros que está fazendo vaquinha não só para me pagar (os honorários), mas para manter a família do Bruno”, observa. Ércio não quis confirmar se a tal ajuda vinha de jogadores do Flamengo. A suposta crise financeira, de acordo com Quaresma, se deve à vida desregrada do jogador. “Bruno comprou carros em várias prestações e gastava todo o dinheiro que recebia no mês. A casa em que ele mora no Rio de Janeiro é alugada. Ele tem apenas um imóvel: o sítio em Esmeraldas (MG).”

Carros

Apesar de o salário mensal de Bruno no Flamengo — atualmente suspenso — atingir a cifra dos R$ 200 mil, o atleta não teria amealhado um grande patrimônio. O sítio do jogador em Esmeraldas tem valor de mercado de mercado inferior a R$ 500 mil. O valor dos três carros em nome do atleta — uma BMW X5, um Volkswagen New Beetle e um Land Rover Range Rover — que seriam financiados, segundo o advogado de defesa Ércio Quaresma, não chegaria a R$ 1 milhão. O jogador também teria três apartamentos no Rio de Janeiro, informação não confirmada por Quaresma.

Outros advogados criminalistas ouvidos pelo Correio acham difícil fazer uma previsão sobre o valor a ser gasto pelo goleiro em todo o processo. Professor de Direito Penal da Faculdade de Direito da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Filipe Schimidt Sarmento Fialdini ressalta que o montante a ser desembolsado pode variar de R$ 20 mil a R$ 1 milhão. “É impossível fazer essa estimativa. Depende de vários fatores para se chegar a um valor preciso”, frisa. Já para um experiente profissional que atua no mercado paulista — e que optou por não revelar sua identidade — é muito difícil fazer essa conta. Ainda de acordo com ele, o fato de a defesa de seis dos nove acusados estar concentrada em apenas um advogado pode esconder um plano para livrar Bruno da cadeia. “É perfeitamente possível a defesa alegar que o goleiro não quis matar e condenar os outros. Em tese, Bruno seria condenado por lesão corporal.”