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Jornal da Tarde

Golpe do seguro tem queda de 43%

Marília Almeida

clip_image002O telefone toca. O suposto corretor anuncia que há um prêmio de R$ 10 mil a ser resgatado pelo cliente por conta de um seguro utilizado anos atrás. Em troca do resgate do valor, o golpista pede à vítima que uma quantia seja depositada em uma conta bancária. Esse é o clássico golpe do seguro, cujo principal alvo são pessoas idosas. A boa notícia é que a prática vem diminuindo no País.

No primeiro semestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2009, o número de denúncias de golpes diminuiu 43% nos registros da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Foram 164 queixas recebidas em janeiro ante 59 no mês de junho. No total, foram 610 reclamações formais no primeiro semestre e 1.070 no mesmo período de 2009.

A Susep acredita que à medida que o segurado procura se informar mais, o número de denúncias tende a cair. A agência destaca ainda a maior repressão ao crime.

O órgão federal cita que quadrilhas especializadas nesse tipo de fraude, com ramificações em todo País, foram presas nos últimos meses, o que também pode ter contribuído para a queda do número de casos. Todas as denúncias que a agência recebe são encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Federal. A ação dos golpistas sofre variações, mas em geral o argumento é o mesmo. Apenas os meios podem mudar: o segurado pode receber um e-mail e até mesmo a cópia de uma apólice, falsificada, pelo correio em vez de um telefonema.

O crime costuma ocorrer com mais frequência em modalidades mais contratadas, como seguro de automóveis.

Geralmente, as empresas citadas pelo golpista já encerraram suas atividades e estão em liquidação extrajudicial. Mas os designados para vender os ativos da seguradora com o objetivo de pagar os credores (incluindo os segurados) não solicitam nenhuma valor para liberação do dinheiro. Além disso, o contato é formal, por carta ou edital. Portanto, qualquer ligação telefônica ou e-mail onde seja solicitado pagamento para resgatar o que é direito do segurado é uma ação criminosa e deve ser denunciada.

Marcos Pummer, assessor técnico da presidência do Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado (Sincor-SP), aconselha o segurado a checar as informações, a situação da empresa e os dados do corretor nos órgãos e associações do mercado. “As apólices de seguro obrigatoriamente lembram o segurado de que ele deve checar se a situação do profissional que o atende está regular. O site do Sincor (www.sincorsp.org.br) permite fazer isso. Além disso, ele deve pedir a carteira do corretor na hora da transação”, explica Pummer.

O assessor técnico conta que negociações apenas por telefone ou pela internet devem ser evitadas.

“Caso sejam feitas por esses meios,é fundamental se informar sobre a situação da empresa e do profissional do outro lado da linha ou da tela do computador.” De acordo como assessor do Sincor- SP,deve-se desconfiar de vantagens excessivas, como um alto montante de dinheiro.

DENUNCIE

No Sincor-SP, a denúncia pode ser feita pelo site www.sincorsp. org.br ou pelo telefone 0800114999 do sindicato

No site da Susep (www.susep. gov.br) é possível fazer a denúncia no link Fale Conosco

O Disque Denúncia (181),da polícia também pode ser acionado no caso de golpes

PINGUEPONGUE

Antonio Mendonça advogado especializado em seguros

Anote todos os dados”

Porque o número de golpes relacionados à seguros diminuiu nos últimos meses?

A Susep fez recentemente uma série de acordos e convênios com associações do mercado para coibir a prática. Hoje os corretores de seguros têm inclusive um código de ética.

Os golpes são aplicados apenas por estelionatários?

Não. Observamos golpes aplicados por profissionais habilitados também. Você faz um seguro de automóvel, dá quatro cheques para o corretor e ele não paga a seguradora. Por isso, muitas delas vem optando pelo pagamento direto, como uma TED (Transferência Eletrônica Disponível) via internet.

Como o consumidor pode evitar essa dor de cabeça?

Anotando todos os dados do vendedor e da transação,inclusive números do cheque, e verificando com a seguradora se o pagamento foi mesmo realizado. O melhor, ao dar um cheque nominal, é cruzá-lo e escrever atrás que ele somente deve ser depositado na conta do beneficiário.