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Crises multiplicam mercado de auditores
Profissão ganha reconhecimento após escândalos do passado e dificuldades econômicas que afetaram o mundo
Mariana Celle
Em junho, a rede varejista Walmart criou no Brasil o cargo de vice-presidente de auditoria interna. A função, que até há pouco tempo só existia em níveis hierárquicos mais baixos, em alguns casos chegando até a diretoria, tem retomado sua força e ganhado mais espaço dentro das corporações. “Para nós significa um momento de valorização e reconhecimento da profissão”, diz Alexandre Apparecido, vicepresidente de auditoria interna do Walmart, que tem mais 48 auditores emsua equipe.
No início dos anos 2000, a carreira de auditor interno, profissional que assessora o dia-adia da empresa, estava com a imagemabalada e o trabalho desacreditado. O que os profissionais da área não poderiam imaginar é que uma falha envolvendo auditores externos, aqueles que atestam os resultados do balanço anual das empresas, daria novo fôlego ao segmento. “Em 2002 o erro de uma grande empresa de auditoria externa no balanço da Worldcom, operadora de telefonia, foi identificado pela auditora interna, Cinthia Cooper, que poupou a companhia do prejuízo de US$ 3,8 bilhões”, afirma Oswaldo Basile, presidente do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (Audibra).
Outro momento que significou aumento da demanda para o segmento foi a crise econômica mundial, deflagrada no segundo semestre de 2008. “Isso aconteceu por causa da necessidade das empresas fazerem, mais do que nunca, suas gestões de riscos e controle na área de tecnologia, vendas, finanças, operações e estratégia”, diz Waldemir Bulla, sócio-diretor da Protiviti Brasil, consultoria de auditoria interna.
Embalada pelo fortalecimento da profissão, a carreira de auditor interno tem ganhado novos contornos. Esta, que antes era destinada a administradores, contadores ou economistas, agora cede espaço também para profissionais de meio ambiente e de tecnologia, por exemplo. “Há oportunidades para todos. O importante é ser um profissional multidisciplinar, mas aliado a características específicas”, diz Bulla.
Apparecido, do Walmart, é um exemplo disso. Graduado em tecnologia de processos de dados, fez pós-graduação na área financeira e outra em marketing, além de possuir especialização em gestão. “Pela
diversidade e vasta experiência, as auditorias internas são consideradas celeiros em que os profissionais estão aptos a ocuparem qualquer área das companhias, uma vez que eles têm visão ampla do negócio”, afirma o vice-presidente da rede de supermercados.
Atualmente o perfil pessoal do profissional é mais relevante que sua formação técnica, acredita Apparecido. “Claro que a empresa considera o preparo, mas há possibilidades para formações diversas, como biólogos e matemáticos. De modo geral, o que falta, são auditores”, diz. O que também tem sido ampliado é o volume de profissionais no Brasil, de acordo coma Audibra, estimado em40 mil.
Economia forte dá chance aos jovens
Bom momento do mercado associado à maior qualificação é à receita para os advogados em início de carreira atingirem o topo mais cedo
O aquecimento geral da economia tem proporcionado novas oportunidades aos jovens profissionais, em especial os da área de direito. No currículo, eles colecionam especializações e com isso, têm conquistado altos cargos cada vezmais cedo. O advogado Charles Gruengerg, começou sua carreira como estagiário no escritório Leite, Tosto e Barros Advogados e aos 32 anos ocupa o cargo de diretor executivo. “Mesmo sendo alto o volume de formandos em Direito, ainda falta qualificação, o que dá oportunidade para aqueles mais jovens que buscam se capacitar logo”, diz o diretor.
Gruengerg tem pós-graduação em Direito Processual Civil e fala inglês, espanhol e hebraico. Segundo Rodrigo Fortes, diretor da Exec, consultoria de recursos humanos, profissionais com habilidade em línguas estrangeiras são os mais procurados neste momento, uma vez que o reaquecimento do mercado gera mais negócios internacionais ligados a fusões e aquisições. “Neste caso o advogado deve ter pelo menos o inglês fluente, não entrevistamos candidatos que não tenham essa competência”.
No LO Batista Advogados, quase 35% da equipe é formada por jovens advogados com pós-graduação, mestrado ou doutorado e todos falam pelo menos mais um idioma estrangeiro, além do inglês. Os jovens profissionais com30 anos em média acreditam que a alta especialização é uma tendência. “Buscar a capacitação cada vez mais cedo deixou de ser exceção na área do Direito, pois, por sermos mais jovens do que muitas vezes os clientes esperam, temos ainda o desafio de demonstrar que temos segurança, conhecimento e formação sólida”, diz André Espírito Santo, de 31 anos, advogado sênior do LO Batista, com pós-graduação em direito do consumidor em estrado em direito constitucional.
Para a colega de casa, Cristina Jabardo, também de 31 anos, a alta especialização foi uma forma que o jovem encontrou de se inserir no mercado ao mesmo tempo em que a evolução do mercado impulsionou esse movimento. “Antes o convencional era que um advogado fosse generalista, agora, vejo cada vez mais se formar em especialistas”, afirma a advogada sênior com mestrado em direito internacional.
Denifir em que área atuar se tornou uma escolha ainda na graduação, segundo Silvia Miranda, de 29 anos, advogada sênior do LO Batista com mestrado em arbitragem internacional. “Percebo que a geração mais jovem tem buscado se especializar ainda durante a faculdade, freqüentando cursos fora do país e buscando estágios em áreas de preferência”, diz.
JOVENS AUDITORES
Profissão oferece diversidade e desafios constantes, atraindo novos profissionais
Apesar de ser uma profissão que exige experiência, os mais jovens também têm conquistado seu espaço. Jonathan Oliveira tem 25 anos e começou sua carreira como Trainee da Protiviti há dois anos, logo que se formou no curso de Engenharia da Computação. Oliveira conta que, no início, sentiu dificuldade em passar para os profissionais da empresa-cliente que as leis de padrões internacionais deveriam ser seguidas. “Por causa de algumas regras podemos acabar deixando uma imagem de cobrança, por isso, além de realizar nosso trabalho, procuramos também manter uma relação agradável com o cliente”, diz.
A possibilidade de diversificar e ter sempre novos desafios atraiu o jovem auditor. “Apesar do cansaço com viagens constantes, o trabalho é gratificante”, afirma.
