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Juro do seguro de carro não cai há seis anos
Maior procura pela modalidade e estabilidade econômica mantiveram as taxas desde 2004
MARCOS BURGHI
marcos.burghi@grupoestado.com.br
Os juros dos seguros de veículos pagos parceladamente por boleto bancário não acompanharam o movimento de redução das taxas ocorridas em outros produtos da economia,e permaneceram estáveis nos últimos seis anos. A conclusão é de estudo realizado pelo Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado de São Paulo( Sincor- SP) que verificou as taxas cobradas por dez seguradoras( veja quadro).
Gerlando Lima, coordenador do curso de contabilidade da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo(FEA-USP),afirma que a estabilidade se deve ao aumento da Procura pelo produto como decorrência da estabilidade econômica do País. “Quanto mais parcelas, mais juros”, lembra Lima.
De acordo com o coordenador da FEA, esta forma de pagamento dá menos segurança de recebimento por parte das seguradoras que os débitos quitados por cartão de crédito, débito em conta ou pagamento à vista.“Isso aumenta o risco e impede a queda de juros”, afirma.Lima acredita que haverá ajustes para baixo nos preços, em função da concorrência, mas os juros devem se manter nos patamares atuais.
Segundo José Roberto Kassai, professor e especialista em contabilidade da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), as taxas de juros cobradas nos parcelamentos de seguros mantiveram-se nos mesmos patamares dos últimos anos em decorrência da própria estabilização da economia brasileira e, também, “da inércia das seguradoras brasileiras que não ajustaram a parcela de risco embutido na modalidade boleto bancário”.
Na opinião de Kassai, as taxas cobradas atualmente, em torno de80% ao ano,são “absurdamente altas, incompatíveis com a realidade brasileira”. No período analisado pelo Sincor-SP, entre 2004 e 2010, a taxa básica que serve de balizamento para os juros da economia brasileira, a Selic, caiu de 16,5% ao ano para 10,75% ao ano. Em termos mensais, a Selic caiu de 1,3%, em janeiro de 2004, para 0,87% hoje.
Mário Sérgio Santos, presidente do Sincor- SP,acredita que só os consumidores podem fazer com que as taxas caiam.“É preciso pesquisar e negociar”, diz.
O locutor Magno Rodrigues, 23 anos,fez um seguro para seu automóvel em 2009 e este ano trocou a forma de pagamento por boleto bancário.A troca, afirma, ocorreu porque ele acredita que,com o boleto,
ele tem mais controle sobre os pagamentos
A Porto Seguro informou, em nota, que “para todas as formas de pagamento existe a condição de 4 vezes sem juros”.
Em nota, a Tokio Marine também observou a possibilidade de parcelamento em até quatro parcelas, sem juros. As demais companhias analisadas não atenderam à reportagem.
