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	<title>Original123 &#187; &#8220;Santô e os pais da aviação&#8221;</title>
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	<description>A assessoria de imprensa com as melhores soluções para a comunicação de sua empresa.</description>
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		<title>LANÇAMENTO DE LIVRO</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Mar 2006 20:14:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA["Santô e os pais da aviação"]]></category>

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		<description><![CDATA[REVISTA VEJA RIO (8 DE MARÇO DE 2006)
SANTÔ E OS PAIS DA AVIAÇÃO, de João Spacca de Oliveira (Cia. das Letras, 168 págs., R$ 39,00). A vida e a obra do aviador Santos Dumont (1873-1932) inspiraram o cartunista e ilustrador paulistano Spacca a criar uma história em quadrinhos feita com aguada e bico-de-pena. Alguns originais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>REVISTA <strong>VEJA RIO</strong> (8 DE MARÇO DE 2006)</p>
<p><strong>SANTÔ E OS PAIS DA AVIAÇÃO, de João Spacca de Oliveira</strong> (Cia. das Letras, 168 págs., R$ 39,00). A vida e a obra do aviador Santos Dumont (1873-1932) inspiraram o cartunista e ilustrador paulistano Spacca a criar uma história em quadrinhos feita com aguada e bico-de-pena. Alguns originais estarão expostos na livraria. Livraria da Travessa, Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema,  3205-9002. Qui. (9), a partir das 20h.</p>
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		<title>Quadrinhos voadores</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Mar 2006 20:13:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA["Santô e os pais da aviação"]]></category>

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		<description><![CDATA[O GLOBO (6 DE MARÇO DE 2006)
O cartunista-internauta Spacca lança na quinta-feira seu livro “Santô e os pais da Aviação” (em HQ), resultado de intensa pesquisa feita nos últimos anos sobre o inventor brasileiro e outros pioneiros da aviação. Quem está convocando a gALLera para o encontro é Arnaldo Nogueira Júnior, comandante do Releituras, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O GLOBO</strong> (6 DE MARÇO DE 2006)</p>
<p>O cartunista-internauta <strong>Spacca</strong> lança na quinta-feira seu livro “<strong>Santô e os pais da Aviação</strong>” (em HQ), resultado de intensa pesquisa feita nos últimos anos sobre o inventor brasileiro e outros pioneiros da aviação. Quem está convocando a gALLera para o encontro é Arnaldo Nogueira Júnior, comandante do Releituras, um dos mais antigos e competentes sites culturais da rede. Spacca é colaborador do site e já ilustrou textos de Rubem Braga, João Ubaldo Ribeiro, entre outros ban-ban-bans. Na Livraria da Travessa (Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema). A partir das 20 horas.</p>
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		<title>SANTÔ</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2006 20:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA["Santô e os pais da aviação"]]></category>

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		<description><![CDATA[O GLOBO ON LINE — BLOGS (24 DE JANEIRO DE 2006)
Quem foi o primeiro a voar? Santos Dumont? Os irmãos Wright? Imbuído, como brasileiro, de defender com ardor seu compatrício Santô, o cartunista e ilustrador Spacca debruçou-se em pesquisas e foi, aos poucos, se convencendo da verdade: nem americanos, nem brasileiro. A invenção do avião [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O GLOBO ON LINE — BLOGS</strong> (24 DE JANEIRO DE 2006)</p>
<p>Quem foi o primeiro a voar? Santos Dumont? Os irmãos Wright? Imbuído, como brasileiro, de defender com ardor seu compatrício Santô, o cartunista e ilustrador <strong>Spacca</strong> debruçou-se em pesquisas e foi, aos poucos, se convencendo da verdade: nem americanos, nem brasileiro. A invenção do avião foi coletiva, cada um contribuiu um pouco.</p>
<p>Difícil não se apaixonar por &#8220;<strong>Santô e os pais da aviação</strong>&#8220;, livro em quadrinhos recém publicado pela Cia. das Letras. Neste projeto, acalentado pelo autor há 25 anos, choramos a cada fracasso de Dumont (ou Santô) e sorrimos quando acontece o mesmo com os Wright ou com os outros. É, outros, muitos foram os envolvidos na descoberta de como voar. Através da hq de Spacca conhecemos Gabriel Voisin, Louis Blériot, Ernst Archdeacon, Eugène Lefebvre, OctaveChanute, Ferdinand Ferber etc.</p>
<p>Através da hq também conhecemos um pouco mais da figura dândi de Santô. Descobrimos como seu chapéu ganhou aquele formato diferente, com as abas para baixo, como começou a voar em balões, de sua amizade com o cartunista parisiense Sem (George Goursat) e até nos solidarizamos com ele em sua decepção com o fato do avião ter sido amplamente usado como arma de guerra, algo que o deprimiu profundamente e, segundo alguns, o teria levado à morte.</p>
<p>&#8220;Durante muitos anos (desde 1979), desenhei o personagem e comprei livros relacionados ao tema e à época. Quando decidi fazer uma história em quadrinhos, trabalhei para dar forma dramática e divertida ao roteiro, mantendo fidelidade aos fatos. Só com o roteiro pronto é que procurei a editora. Foi difícil descobrir uma motivação para Santos-Dumont à altura da trajetória dos Wright (que eram pobres; é mais fácil torcer por um herói pobre&#8230;). Transformei a facilidade inicial de Santos-Dumont &#8211; que recebeu todas as condições para se dedicar exclusivamente aos seus aparelhos &#8211; em uma espécie de missão pesada, um fardo que o pai poderoso transmitiu a ele pouco antes de morrer. Como os Wright também tiveram um inspirador mártir, o Otto Lilienthal, estruturei o livro nessas duas histórias paralelas, que vão se cruzando e articulando, enquanto o mundo se encaminha para a Primeira Guerra Mundial&#8221;, explica Spacca no release.</p>
<p>Trabalho fabuloso de pesquisa histórica aliada a uma ótima arte, &#8220;Santô e os pais da aviação&#8221; é uma hq com um personagem fascinante como poucos. E o que é melhor: brasileiro. Deveria virar livro pedagógico nas escolas.</p>
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		<title>Quadrinhos contam História</title>
		<link>http://www.original123.com.br/assessoria/2005/12/27/quadrinhos-contam-historia/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2005 20:48:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA["Santô e os pais da aviação"]]></category>

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		<description><![CDATA[O ESTADO DE S. PAULO (27 DE DEZEMBRO DE 2005)
A nova versão do clássico Casa-Grande &#038; Senzala e a biografia de Santos Dumont reforçam o papel das HQs como grandes incentivadoras do hábito da leitura
Karla Dunder
Ubiratan Brasil 
Gilberto Freyre gostava de dizer que sua obra-prima, Casa-Grande &#038; Senzala, é a história da formação brasileira escrita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O ESTADO DE S. PAULO</strong> (27 DE DEZEMBRO DE 2005)</p>
<p><strong>A nova versão do clássico Casa-Grande &#038; Senzala e a biografia de Santos Dumont reforçam o papel das HQs como grandes incentivadoras do hábito da leitura</strong></p>
<p><em>Karla Dunder<br />
Ubiratan Brasil </em></p>
<p>Gilberto Freyre gostava de dizer que sua obra-prima, Casa-Grande &#038; Senzala, é a história da formação brasileira escrita através de sugestões plásticas. Para ele, a obra na qual detalhou as contribuições portuguesa, indígena e africana na evolução nacional nasceu com a predisposição para ser quadrinizada. Assim, ele participou com alegria da versão em HQ produzida em 1981. Na mesma época, o ilustrador e cartunista João Spacca de Oliveira, o Spacca, começou sua pesquisa sobre Santos Dumont, recolhendo material de arquivo de jornais e coleções sobre o aviador. O fruto dos dois trabalhos chega agora às livrarias, que recebem cada vez mais cuidadosos trabalhos em HQ: Casa-Grande &#038; Senzala (Global) ganha nova edição e <strong>Santô e os Pais da Aviação (Companhia das Letras) revela a coragem de Spacca em colocar no papel suas idéias</strong>.</p>
<p>A adaptação da obra de Freyre foi cuidadosa. Realizado pelo antropólogo e historiador Estêvão Pinto, o texto em quadrinhos mantém-se o mais próximo possível do original. Idêntico cuidado teve o desenhista Ivan Wasth Rodrigues, que se baseou nas pinturas de artistas que retrataram os primeiros séculos de história do Brasil, como Jean-Baptiste Debret, além da técnica de ilustradores italianos como Giorgio Tabet e Fortunino Mantania.</p>
<p>Juntos, eles consumiram diversos meses de pesquisa &#8211; enquanto Pinto recebia a consultoria de Freyre sobre quais pontos da obra eram mais destacáveis, Rodrigues fazia ensaios em aquarelas até iniciar o desenho a traço em preto-e-branco, o mais comum dos quadrinhos. A solução também buscava baratear a obra, que teve suas três primeiras edições esgotadas.<br />
A obra só voltou às livrarias em 2000, por ocasião do centenário de nascimento de Gilberto Freyre, e com os quadrinhos colorizados por Noguchi, que levou em consideração as aquarelas iniciais de Rodrigues, especialmente a pesquisa de cores das roupas e paisagens entre os séculos 16 e 18.</p>
<p>O livro seria o primeiro de uma coleção de clássicos brasileiros de ciências sociais em quadrinhos, projeto apoiado pela Editora Brasil América, a saudosa Ebal. Mas a morte do editor Adolfo Aizen e diversas crises econômicas engavetaram o projeto logo depois de seu primeiro volume.</p>
<p>Já <strong>Santô</strong> chega aos quadrinhos depois das tentativas de <strong>Spacca</strong> de contar a vida do pai da aviação tanto em filme de animação como em CD-ROM. Ele retrata o jovem rico, filho de fazendeiros de café, que tinha um enorme interesse pelo funcionamento de máquinas e sonhava voar. Tudo começa quando a família viaja para a França. O pai de Alberto não estava muito bem de saúde, precisava se recuperar, e nada melhor que os ares parisienses para isso.</p>
<p>Lá, o pai resolve vender sua propriedade no Brasil e dá mil contos de réis ao filho, a parte que lhe cabia na venda. Liberdade para &#8220;ver se ele se fazia homem&#8221;. E ainda aconselhou: &#8220;Prefiro que não se torne &#8216;doutor&#8217;. Fique longe do direito e da política. Siga o exemplo dos seus cunhados, os irmãos Villares, todos engenheiros.&#8221; O filho seguiu os conselhos do pai, que não pôde ver Alberto voar.</p>
<p>O dinheiro financiou os sonhos e extravagâncias de Alberto. Primeiro foram os balões. Depois de algumas experiências e uns tantos tombos, veio o dirigível, que após várias tentativas conseguiu contornar a Torre Eiffel e por fim a criação e o sucesso do 14 Bis. Paralelamente, Spacca narra as peripécias dos irmãos Wright do outro lado do Atlântico.</p>
<p>Com riqueza de detalhes, como a visita de Santos Dumont à princesa Isabel, o relógio de pulso criado por Cartier e o detalhe do design do chapéu panamá, inseparável companheiro do aviador, Spacca conta as façanhas dos primórdios da aviação e a decepção de Alberto com o uso de sua invenção para a guerra, o que o levou ao suicídio.</p>
<p>Um testemunho mais visceral acompanha o volume de Na Prisão (Conrad), mangá em primeira pessoa do japonês Kazuichi Hanawa. No final de 1994, ele foi preso por porte ilegal de armas. Julgado meses depois, foi condenado a três anos de prisão. Depois de conseguir liberdade condicional por bom comportamento, começou a colocar no papel o que se lembrava do ambiente e da rotina que viveu na penitenciária. Daí vem a surpresa.</p>
<p>Se, no Brasil, tal relato seria repleto de violência e maus-tratos, Hanawa retrata uma rotina marcada pela ordem, disciplina e pela quantidade impressionante de normas e regulamentos. E ele mostra que isso não resulta em um ambiente livre da opressão, pois tal procedimento beirando à perfeição leva ao lado mais cruel do aprisionamento: a perda da identidade. E, curiosamente, é justamente essa vida desprovida de ódio, beirando entre a indiferença e a frieza, que revela outra face dos problemas carcerários.</p>
<p>Uma crueldade bem mais amena e repleta de diversão marca outro importante lançamento do fim de ano: a republicação, pela Companhia das Letras, das aventuras do jovem repórter Tintim. Criado por Hergé, pseudônimo do belga Georges Rémi, ele marcou gerações: já vendeu 250 milhões de exemplares e foi traduzido para 26 línguas. Algo tão fascinante que Charles de Gaulle disse certa vez: &#8220;Meu único rival internacional é Tintim.&#8221;</p>
<p>Hergé criou um herói ingênuo, talvez pelo fato de o autor ter sido escoteiro na infância. A generosidade de Tintim o faz viajar o mundo para ajudar aqueles que precisam dele, mas ao mesmo tempo, é astuto e corajoso. &#8220;De certa forma, Tintim é o garoto que eu gostaria de ter sido&#8221;, disse Hergé.</p>
<p>O jovem de rosto redondo e topete louro encanta gerações, mesmo vestindo a mesma calça de golfista e o blue jeans dos anos 30. A primeira história foi publicada em 1929. Independentemente do tempo, o que atrai os leitores em suas histórias é a aventura. Tintim sempre viaja, vai a lugares exóticos, faz uma série de descobertas e encontra pessoas diferentes. Assim como nas brincadeiras de criança, Tintim é livre para fazer aquilo que desejar.</p>
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		<title>Na esteira do vôo centenário</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2005 20:41:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA["Santô e os pais da aviação"]]></category>

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		<description><![CDATA[JORNAL DO BRASIL (22 DE DEZEMBRO DE 2005)
Experiência com o 14 Bis faz 100 anos em 2006 e Santos Dumont é lembrado em exposições, documentários e história em quadrinhos

O 14 bis, centenário
Ninguém, antes dele, fez igual. Assim mesmo os brasileiros levaram 100 anos para comemorar o vôo do 14-Bis sobre o Campo de Bagatelle, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>JORNAL DO BRASIL</strong> (22 DE DEZEMBRO DE 2005)</p>
<p><strong>Experiência com o 14 Bis faz 100 anos em 2006 e Santos Dumont é lembrado em exposições, documentários e história em quadrinhos</strong></p>
<p><img src="http://www.original123.com.br/imagenstrabalho/spacca2.jpg" alt="14-BIS" /><br />
<em>O 14 bis, centenário</em></p>
<p>Ninguém, antes dele, fez igual. Assim mesmo os brasileiros levaram 100 anos para comemorar o vôo do 14-Bis sobre o Campo de Bagatelle, em Paris, a 80 metros do chão durante 21 segundos, diante de 300 pessoas. Até o centenário do vôo, a 23 de outubro do ano que vem, Santos Dumont vira fetiche em forma de selos, fantoches, pratinhos, broches, maquetes transformadas em abajur, conferências, documentários, ficções. A Força Aérea recebeu 600 projetos. <strong>Fora os independentes, como o primeiro álbum em quadrinhos do herói de chapéu de abas, terno de listras e colarinho tão engomado que o cartunista paulista Spacca relutou em desenhar seu pescoço nu. O título é Santô.</strong></p>
<p>Com jeito de dandi e corpo de jóquei no ar, <strong>Santô</strong> é uma delícia visual para qualquer idade. <strong>Spacca</strong> trata de todos os tabus. Não mostra o herói pendurado num chuveiro amarrado às duas gravatas, como aconteceu em 1932, mas menciona o suicídio no banheiro do hotel La Plage, em Guarujá, depois de uma crise de depressão. Tinha 59 anos, aparentava 80, e fica a dúvida se o que o matou foi o horror da esclerose múltipla ou o desespero de ver o uso bélico de sua invenção. De qualquer forma, o último quadrinho dá a Santô um fim lírico. Num balão, o filho do rei do café Henrique Dumont aprende o caminho das estrelas.</p>
<p>E a disputa pela invenção com os americanos Irmãos Wright? <strong>Spacca</strong> não esconde nada sobre outros homens que queriam voar e na epígrafe deixa a dúvida num trecho da carta de Wilbur Wright, escrita em 1900: &#8221;O problema é grande demais para um homem resolver sozinho, em segredo e sem ajuda&#8221;.</p>
<p>A homossexualidade está expressa na carta de despedida de Santos Dumont (&#8221;amei homens e mulheres, sou macho e fêmea, no coração e na mente, não me foi dado o bem ou o mal de saber dividir categorias tão complementares&#8221;), e implícita na amizade com o cartunista SEM, a quem ele confessa:</p>
<p>- Com meia dúzia de riscos você me capturou.</p>
<p>Também nas provocações da vida parisiense, onde o escritor Jean Lorrain, declaradamente homossexual, encontra-se com SEM e diz:</p>
<p>- Aí está você com seu pequeno pássaro&#8230;</p>
<p><strong>Spacca</strong> rejeitou os estereótipos de biografias onde Santos Dumont aparece tricotando num quarto com o céu cheio de anjos.</p>
<p>- Questiono tudo isso &#8211; diz Spacca, 41 anos. &#8211; A paixão dele era uma só, máquinas.</p>
<p>Cartunista da imprensa diária, Spacca levou um ano para conceber e finalizar &#8221;Santô&#8221; correspondendo-se com especialistas, parentes e descendentes de ex-colaboradores de Santos Dumont. Ao citar os romanos aproveita para homenagear um de seus desenhistas prediletos, Uderzo, inventor de Asterix. E faz reverência ao mítico Will Eisner, pai da graphic novel, ao desenhar mendigos apedrejando o aeroclube que negou o premio a Santos Dumont, alegando um atraso de 40 segundos.</p>
<p>Um metro e meio altura, tão excêntrico que costumava jantar no Maxim&#8217;s bordo do balão número 9 que amarrava feito cavalo, como Spacca registra, Santô agradava à alta sociedade e aos pobres de Paris. O premio que ganhou ao contornar a Torre Eiffel, em 30 minutos e 30 segundos, derrotando o conde Zepelim da Alemanha, distribuiu entre os mecânicos e o chefe da polícia. Instruíu-os a resgatar das casas de penhor as ferramentas empenhadas pelos trabalhadores.</p>
<p>Era supersticioso dos pés à cabeça. Tinha pânico do número 8 &#8211; a numeração de seus balões salta de 7 para 9 &#8211; e jamais voava no oitavo mês. Tinha razão: o acidente que quase o matou aconteceu dia 8 de agosto, e o quarto do hotel onde se enforcou, tinha o número 152, que somava 8.</p>
<p>- Acabei eu mesmo ficando com essa mania &#8211; confessa Spacca.</p>
<p>Boa parte das lendas sobre o aviador o cartunista aboliu. Por exemplo, o avião Condor lotado de jornalistas e políticos que vinham saudar seu regresso ao Brasil, em 1928, e caíu no mar matando todos os passageiros. O avião que Blériot batizou de Santos Dumont, depois de sua morte e que também caiu, matando o piloto. E os Mamonas Assassinas, que morreram no ar depois de dedicar um CD ao pai da aviação.</p>
<p>A má fama quase afetou o filme do paraibano Marcone Simões, , orçado em R$ 17 milhões. Foca os dez anos em que Santos Dumont realizou o sonho de Ícaro e inventou o relógio de pulso fabricado por Cartier com seu nome, o selim de bicicleta, o hidroplano deslizando sobre o Sena. O longa decola em 2007, cheio de romance, espionagens, sabotagens. Mas no ano que vem Simões faz uma prévia com o projeto de R$ 1,3 milhão, Ares Nunca Dantes Navegados: são conferências, exposições, maquetes e móbiles do 14-Bis com vinhetas e o salto tecnológico de Santos Dumont, além de um site na Internet.</p>
<p>Os brasileiros ainda vão ver O homem pode voar, documentário de 75 minutos de Nelson Hoineff, com 16 minutos inéditos pesquisados na Gaumont, Pathé, Smithsonian. Custou R$ 800 mil.</p>
<p>Em quadrinhos, móbiles, maquetes, filme ou seriado de TV, chegou a hora de o mundo inteiro experimentar aquilo que Santos Dumont exprimiu sobre seu avião levíssimo, fabricado com madeira, bambu e seda japonesa:</p>
<p>- Os pássaros devem experimentar a mesma sensação quando as suas longas asas e o seu vôo fecha o céu. Ninguém, antes de mim, fizera igual.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Spacca homenageia os pais da aviação</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2005 20:20:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA["Santô e os pais da aviação"]]></category>

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		<description><![CDATA[FOLHA DE S. PAULO (12 DE DEZEMBRO DE 2005)
Cartunista brasileiro celebra Santos-Dumont e reproduz disputas aéreas

Santos-Dumont e o 14-Bis no céu de Paris, retratado por Spacca
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DA REPORTAGEM LOCAL
A primazia do homem que realizou o primeiro vôo é fato conhecido de todos: os brasileiros sabem que foi Santos-Dumont, os norte-americanos sabem que foram os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>FOLHA DE S. PAULO</strong> (12 DE DEZEMBRO DE 2005)</p>
<p><strong>Cartunista brasileiro celebra Santos-Dumont e reproduz disputas aéreas</strong></p>
<p><img src="http://www.original123.com.br/imagenstrabalho/spacca1.gif" alt="Santô" /><br />
<em>Santos-Dumont e o 14-Bis no céu de Paris, retratado por Spacca</em></p>
<p>MARCO AURÉLIO CANÔNICO<br />
DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>A primazia do homem que realizou o primeiro vôo é fato conhecido de todos: os brasileiros sabem que foi Santos-Dumont, os norte-americanos sabem que foram os irmãos Wright, os franceses sabem que foi Clément Ader&#8230; enfim, inúmeros povos não têm dúvida -e provam com dados históricos e técnicos- de que um de seus compatriotas ocupa o glorioso lugar de pai da aviação.</p>
<p>O que o cartunista brasileiro <strong>João Spacca de Oliveira</strong> fez em &#8220;<strong>Santô e os Pais da Aviação</strong>&#8221; foi colocar a questão numa muito adequada perspectiva científica: a invenção do avião, como quase todas as grandes descobertas, não é fruto do trabalho isolado de um único obstinado, mas resultado do somatório de conhecimentos acumulados em diversas experiências internacionais.</p>
<p>&#8220;A princípio, quis contar a história de Santos-Dumont por uma ótica nacionalista, para mostrar que os irmãos Wright não mereciam a glória de ter inventado o avião. Com o tempo e as pesquisas, fui me convencendo de que o avião foi uma espécie de invenção coletiva, e que os pioneiros se influenciaram mutuamente&#8221;, explica Spacca no texto de divulgação.</p>
<p>Amparado em uma extensa pesquisa sobre o inventor brasileiro, sobre a história da aviação e sobre a Paris do início do século 20, onde Santos-Dumont viveu e desenvolveu suas máquinas de voar, Spacca faz uma biografia romanceada dos pais da aviação.</p>
<p>A história começa no interior de São Paulo, em 1890, na fazenda onde o jovem Alberto Santos-Dumont (natural de Cabangu, MG) viveu antes de sua família se mudar para a Europa, e vai até seu suicídio em 1932, quando já era vítima de uma aparente esclerose múltipla e vivia atormentado pelo uso do avião na guerra.</p>
<p>O período mais centrado é o da emancipação do brasileiro na França, a partir de 1892, quando fica morando em Paris e começa a desenvolver balões e dirigíveis. Em paralelo, Spacca vai destacando os principais avanços dos outros pioneiros da aviação.<br />
&#8220;Santô e os Pais da Aviação&#8221; é uma obra que colabora muito para retirar o estigma que alguns ainda colocam em histórias em quadrinhos, classificando-as como coisa menor ou menos séria.</p>
<p>O trabalho de pesquisa transparece não apenas no desenrolar da trama mas também na boa cronologia final -que destaca em paralelo os principais fatos da vida de Santos-Dumont, dos outros pioneiros e os eventos históricos- e na bibliografia, que inclui uma variedade de sites de internet.</p>
<p>E o grande mérito de Spacca é realmente evitar o caráter de nacionalismo triunfalista. Mesmo detalhes menores -como a suposta &#8220;invenção&#8221; do relógio de pulso, também atribuída a Santos-Dumont- são colocados em perspectiva histórica e factual.</p>
<p>Como diz Wilbur, um dos irmãos Wright, em uma passagem do texto, &#8220;o problema é grande demais para um homem resolver sozinho e em segredo&#8221;.<br />
________________________________________<br />
<strong>Santô e os Pais da Aviação</strong><br />
Lançamento: Cia. das Letras<br />
Quanto: R$ 39 (168 págs.)</p>
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		<title>Altos vôos</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2005 20:11:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[JORNAL DO BRASIL (5 DE DEZEMBRO DE 2005)
Este é um sério concorrente ao troféu de melhor lançamento brasileiro do ano: Santô e os pais da aviação, do cartunista Spacca (Cia. das Letras, 168 págs., R$ 39). Spacca tem 41 anos e uma bibliografia de quadrinhos aquém do seu talento. O grande público praticamente só conhece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>JORNAL DO BRASIL</strong> (5 DE DEZEMBRO DE 2005)</p>
<p>Este é um sério concorrente ao troféu de melhor lançamento brasileiro do ano: <strong>Santô e os pais da aviação, do cartunista Spacca</strong> (Cia. das Letras, 168 págs., R$ 39). Spacca tem 41 anos e uma bibliografia de quadrinhos aquém do seu talento. O grande público praticamente só conhece suas histórias publicadas na revista do Níquel Náusea (onde, em dezembro de 1989, saiu a primeira HQ sua com o personagem Santô, que deve ser considerada um esboço muito rudimentar do presente álbum).</p>
<p>Spacca mexeu até com animação em priscas eras, mas tem-se destacado mais na ilustração e na charge, com o que tem arrebatado vários prêmios. Quadrinhos faz poucos, sem muita regularidade. Tirando uma ou outra história na revista alternativa Front , é difícil ver HQ dele por aí. Mas já andaram até espalhando o boato de que o personagem Bum de Fora, do Cartoon Network, foi pirateado de um desenho seu.</p>
<p>Agora Spacca dá vôos mais altos com essa belíssima biografia de Santos Dumont. Sua obsessão pelo pai da aviação vem da adolescência. Pesquisou tanto, que virou especialista. Se ainda existisse aquele programa do J. Silvestre, ele faria mais bonito que a Noivinha da Pavuna. O melhor de tudo é que dedicou as horas vagas de vários anos de sua vida a este álbum em quadrinhos, onde conta tudo.</p>
<p>São 144 páginas de HQ em belos meiostons, mais uma página dupla com um pôster da Paris de cem anos atrás e um adendo com cronologia e referências bibliográficas. Dá pra ser adotado em qualquer escola. A história é um primor. Vai desde a adolescência de Santos Dumont até sua morte. Mas se concentra mais nas andanças por Paris, onde fez o célebre vôo do 14- Bis que o colocou na História. Todos os balões e aviões construídos por Dumont e seus primeiros vôos são minuciosamente descritos. Até a origem do chapéu amarrotado é desvendada.</p>
<p>Outro personagem quase tão importante na história é o cartunista George Goursat, que assinava Sem. Dumont apaixonou-se por uma caricatura que Sem fez dele e tornaram-se amigos para o resto da vida. Era comum ver os dois bebericando pelos bares de Paris. Os maldosos sugerem que Sem e Dumont tiveram um caso homossexual, mas Spacca não desce a esses pormenores. Apenas sugere uma amizade ambígua como a de Jules e Jim de Truffaut, só que sem a Jeanne Moreau.</p>
<p>Outro importante aspecto do livro é a abordagem não nacionalista. Santô não é só sobre Santos Dumont, fala de todos os outros pais da aviação contemporâneos, incluindo os Irmãos Wright, que os americanos juram que inventaram o avião antes de Santô. Spacca não dá importância a “quem fez primeiro”. Prefere, sim, abordar o cotidiano parisiense e outras figuras importantes da época. Até a exilada Princesa Isabel faz uma ponta, dando uma medalhinha de São Benedito pra dar sorte.</p>
<p>O roteiro é irretocável e se alguém quiser transformar Santô num filme nem precisa roteirizar, é só usar a HQ como storyboard.</p>
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		<title>Síndrome de originalidade</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2005 20:09:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O ESTADO DE S. PAULO (4 DE DEZEMBRO DE 2005)
Daniel Piza
É comum ouvir que o Brasil, pelo território, idioma e composição étnica, tem uma “obrigação de originalidade” ou, na expressão dos acadêmicos, uma “singularidade” como país, uma espécie de lugar reservado entre os grandes, uma contribuição única a dar ao mundo – que já começou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O ESTADO DE S. PAULO</strong> (4 DE DEZEMBRO DE 2005)</p>
<p><em>Daniel Piza</em></p>
<p>É comum ouvir que o Brasil, pelo território, idioma e composição étnica, tem uma “obrigação de originalidade” ou, na expressão dos acadêmicos, uma “singularidade” como país, uma espécie de lugar reservado entre os grandes, uma contribuição única a dar ao mundo – que já começou a ser dada e tem muito mais ainda. Tal discurso, não por acaso, mistura o complexo de superioridade e o de inferioridade; na velha discussão sobre se o brasileiro é pessimista ou otimista, as duas correntes estão erradas. O brasileiro vive numa gangorra emotiva, e quanto mais ela oscila mais essa suposta obrigação distrai e trava sua psique. Originalidade, afinal, pode ser interpretada de várias maneiras. Dou como exemplos alguns livros, sobre diferentes períodos históricos, que acabam de ser lançados por aqui.</p>
<p>Em Império à Deriva (Objetiva), Patrick Wilcken, jornalista australiano radicado na Inglaterra, faz boa narrativa de um contexto histórico completamente original: a transposição de uma corte para sua colônia. Descreve, sem trazer novidades, mas de forma clara e viva, o período em que a aristocracia portuguesa se instalou no Rio de Janeiro a partir de 1808. Diz, por exemplo, que a corrupção característica da corte de Dom João assumiu “uma forma concentrada” no Rio. “O afluxo repentino de milhares de burocratas exilados criou um terreno fértil para os abusos (&#8230;). O roubo em nome da Coroa disseminou-se à larga.” Essa “imensa estrutura burocrática enxertada numa modesta base colonial”, em que os ricos “desenvolveram um horror ao trabalho braçal”, acrescento eu, criou também uma realidade marcada por contrastes anacrônicos, convenientemente acobertados pelos costumes. Não é à toa que Dom Pedro II, como Lula e tantos outros governantes futuros, sonhava conciliar contrários da forma menos trabalhosa possível.</p>
<p><strong>Às vezes o principal inimigo da originalidade é essa sua obrigação. Gostei muito de Santô e os Pais da Aviação, de Spacca (Cia. das Letras), não só porque o desenho e o enredo fazem uma bela HQ, funcionando como “storyboard” de um longa-metragem que basta dinheiro para filmar, mas também porque ele não cai no ufanismo do “pai da aviação”, no singular, e deixa claro como o avião foi resultado da competição de uma série de inventores em países diferentes. Escrevi isso uma vez, e os patrioteiros vieram patrulhar. Na abrangente pesquisa de Spacca, os irmãos Wright não são agentes do imperialismo americano que querem roubar a primazia brasileira; Santos-Dumont tampouco é o ingênuo inimigo das patentes e o “criador” do relógio de pulso. Ao mesmo tempo, o livro o celebra como um tecnólogo de gênio, original em sua combinação de técnica e estilo – e por isso mesmo merecedor de todas as honras nacionais. </strong></p>
<p>O mito da originalidade coletiva brasileira não surgiu com a publicação de Casa Grande &#038; Senzala em 1933, mas deu um grande salto com ele. Em Gilberto Freyre – Um Vitoriano dos Trópicos (Unesp), a historiadora Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke mostra o papel das idéias da antropologia anglo-americana em sua defesa da mestiçagem brasileira. Até então, a mescla entre brancos e negros era vista como importante para “branquear” a população, segundo um racismo velado que continua firme e forte na atualidade. Freyre implantou o conceito de que o Brasil é uma “democracia racial” em potencial, dono de uma vocação para esse regime inerente a suas condições étnicas. O modelo da acomodação que encontrou nos liberais vitorianos como Carlyle foi transplantado para a célula “familiar” do engenho nordestino. Às avessas, acabou incorrendo no mesmo equívoco: o de colocar a questão racial como determinante. A originalidade brasileira já estaria preparada em sua índole afetiva; era como se o uso das escravas como objeto sexual pelos senhores de terra pudesse dar base sólida para nova forma de civilização.</p>
<p>Ao folhear o lindo livro de fotos de José Medeiros, Olho da Rua (Aprazível Edições), assim como ao ver o documentário Vinicius (já em CD, com as belas interpretações de Mônica Salmaso, Yamandú Costa e Caetano Veloso) ou ler as memórias de Danuza Leão, há uma sensação de que especialmente aquele Rio dos anos 50 viveu e simbolizou o sonhado equilíbrio entre doçura e modernidade, construindo o futuro e ao mesmo tempo comungando com a natureza – o projeto original do Brasil. São os tempos da bossa nova, de Niemeyer e Burle Marx, de grandes escritores e pintores, de Pelé e JK, da união do popular com o sofisticado. Mas esses “híbridos” expressam pessoas e movimentos originais, não um projeto consensual de originalidade – não uma utopia tornada real para a grande maioria. Manifestações criativas não traduzem necessariamente as virtudes de uma nação. A espontaneidade que pode ser boa para o futebol, por exemplo, pode ser desastrosa para a política&#8230;</p>
<p>Já vi dizerem que o brasileiro nasceu para isto, que foi feito para aquilo, que “a nossa” é driblar intuitivamente como Garrincha ou viver desregradamente como Vinicius (dois talentos que, significativamente, poderiam ter mantido a excelência por mais tempo); que o brasileiro não sabe fazer ciência, tecnologia, pensamento abstrato. Por que uma coisa precisa eliminar a outra? Sem querer, ratifica-se a imagem do Brasil como um país incapaz de certas coisas; Oswaldo Cruz, Mário Schemberg, o Projeto Genoma seriam exceções que confirmam a regra. É como se a visão da identidade precisasse excluir a complexidade, como se a originalidade fosse mais uma dádiva que uma conquista. Singular, de fato.</p>
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		<title>O homem que queria voar</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2005 20:31:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA["Santô e os pais da aviação"]]></category>

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		<description><![CDATA[SITE OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA (21 DE NOVEMBRO DE 2005)
Santô e os pais da aviação – A jornada de Santos-Dumont e de outros homens que queriam voar, de Spacca, 160 pp., Companhia das Letras, São Paulo, 2005; R$ 39,00; lançamento e exposição de originais no sábado, 26/11, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>SITE <strong>OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA</strong> (21 DE NOVEMBRO DE 2005)</p>
<p><strong>Santô e os pais da aviação</strong> – A jornada de Santos-Dumont e de outros homens que queriam voar, de Spacca, 160 pp., Companhia das Letras, São Paulo, 2005; R$ 39,00; lançamento e exposição de originais no sábado, 26/11, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena, São Paulo/ SP), a partir das 15h.</p>
<p><img src="http://www.original123.com.br/imagenstrabalho/livrospacca.jpg" alt="Livro Spacca" /></p>
<p>Em 23 de outubro, o primeiro vôo do 14-Bis completou 99 anos. Em clima de comemoração, o ilustrador e cartunista paulistano Spacca publica uma história em quadrinhos sobre a vida de Santos-Dumont (1873-1932). Envolvido com o projeto do Santô há décadas, o autor conta alguns detalhes desses anos de trabalho.</p>
<p><strong>De onde surgiu a idéia do livro?</strong><br />
<strong>Spacca</strong> – A princípio, quis contar a história de Santos-Dumont por uma ótica nacionalista, para mostrar que os irmãos Wright não mereciam a glória de ter inventado o avião. Com o tempo e as pesquisas, fui me convencendo de que o avião foi uma espécie de invenção coletiva, e que os pioneiros se influenciaram mutuamente. Gostei de descrever essa &#8220;Babel&#8221; de inventores, um de cada país, perseguindo o mesmo sonho. E acho que esse ponto de vista é novo para o público brasileiro, que sempre quer ser o campeão do mundo.</p>
<p><strong>Como foi o processo de criação?</strong><br />
<strong>Spacca</strong> – Durante muitos anos (desde 1979), desenhei o personagem e comprei livros relacionados ao tema e à época. Quando decidi fazer uma história em quadrinhos, trabalhei para dar forma dramática e divertida ao roteiro, mantendo fidelidade aos fatos. Só com o roteiro pronto é que procurei a editora. Foi difícil descobrir uma motivação para Santos Dumont à altura da trajetória dos Wright (que eram pobres; é mais fácil torcer por um herói pobre&#8230;). Transformei a facilidade inicial de Santos-Dumont – que recebeu todas as condições para se dedicar exclusivamente aos seus aparelhos – em uma espécie de missão pesada, um fardo que o pai poderoso transmitiu a ele pouco antes de morrer. Como os Wright também tiveram um mártir inspirador, o Otto Lilienthal, estruturei o livro nessas duas histórias paralelas, que vão se cruzando e articulando, enquanto o mundo se encaminha para a Primeira Guerra Mundial.</p>
<p><strong>Você se inspirou em algum trabalho específico?</strong><br />
<strong>Spacca</strong> – As influências são inúmeras: assisti muito making of de filme para aprender a estruturar uma história. Por exemplo, o tom da amizade de Santô com o cartunista Sem foi inspirado no filme Jules et Jim, de Truffaut; outras vezes eu pensava em Spielberg, Zemeckis e outros cineastas. O personagem Jacinto de Tormes de A cidade e as serras, de Eça de Queiroz, inspirou em parte o meu Santô. Nos quadrinhos, peguei alguma coisa de Carl Barks (o inventor do Tio Patinhas), por exemplo, o uso de silhueta e nuvens com sombras negras, e também de Uderzo (Asterix), Morris (Lucke Luke) etc. E tenho ainda lembranças da fazenda de café que meu avô administrava, onde eu passava férias quando criança.</p>
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